Por Marco Barone

Olá meus caros.
Hoje é dia de mais cultura inútil e, como prometido, vamos continuar com a história da loira do banheiro. Aliás, bom carnaval!

As origens são diversas e mudam conforme a região – e, claro, de acordo com a imaginação de quem a conta. Alguns dizem que foi uma professora, que dava aulas nas escolas das periferias que se apaixonou por um aluno. Seu marido nada satisfeito tomou uma atitude exagerada: enforcou e esfaqueou sua esposa dentro do banheiro da escola e deixou o corpo à própria sorte.

Ela era muito bonita, alta, cabelos louros compridos, usava uma saia, que permitia ver um belo par de pernas compridas e finas. Vestia-se muito bem e era muito simpática. Ou seja, era o protótipo do verdadeiro “mulherão”. Mas, conta-se, que ela usa essa boa aparência só para atrair os homens mais jovens e, assim que eles a encaravam, um rosto sangrento, cheio de algodão e um corpo todo esfaqueado se mostram para que a vingança contra os estudantes se completasse e ela levasse mais um para o mundo do além.

Outra versão diz que ela é bonita (um ponto comum em todas as histórias) e possui farta cabeleira loira. Na parte mórbida, ela é muito pálida, tem os olhos fundos e as narinas tapadas por algodão, para que o sangue não escorra. Causa pânico entre os estudantes.

Afirmam também que era uma aluna que gostava de cabular as aulas, escondendo-se no banheiro. Um dia, caiu, bateu com a cabeça e morreu. Agora, seu fantasma vaga à espera de companhia, assombrando todos aqueles que fazem o mesmo que ela costumava fazer.

Outra lenda afirma que a loira foi morta por um estudante a quem recusou carinhos mais ousados dentro do banheiro. Para se vingar da morte e dos garotos, ela aterroriza os banheiros.

Há também quem diga que ela era uma mulher muito bonita, casada e com dois filhos, um menino e uma menina. O marido, muito ciumento, um dia colocou algodão nas narinas, boca e ouvidos dela e, a esquartejou. Depois jogou os pedaços pela privada e deu descarga (tudo bem que isso é meio forçado, mas é uma lenda, né?). Desde então, sempre que uma criança chama, ela vem pra ver se é um dos filhos dela. Ou seja, para uns, algumas vezes é uma mulher feita, outras vezes, uma menina.

A causa dessa busca por vítimas é também comum. Em todos os casos, as loiras não se conformaram com o fim trágico e prematuro e sua alma, que não quis descansar em paz, passou a assombrar. Os nomes também variam.

Loura ou loira do banheiro, Maria do algodão, menina do algodão, big loura, mulher do Espelho (em versões, ela aparece, primeiro, pelo espelho), essa lenda urbana contemporânea ocorre, com modificações, em todas as regiões do Brasil. Os locais de sua aparição podem variar: escolas, bares, boates, centros comerciais, hospitais.

Para caminhoneiros, por exemplo, pode surgir nos banheiros de postos ou nas estradas pedindo carona. No caso dos caminhoneiros, há outra história. Que a moça morrera no dia de seu matrimônio, atropelada por um caminhão e volta para assombrar os caminhoneiros que atravessassem o seu caminho. Mas em todas elas usa sua beleza para atrair quem quer que seja.

É necessário um certo ritual para que ela apareça. Algumas versões falam em permanecer no banheiro e invocá-la três vezes: “mulher do algodão, mulher do algodão, mulher do algodão”. Outros dizem que se deve dar três descargas na privada. Assim como os nomes e a origem das lendas, os modos de invocá-la também se alternam bastante conforme a região ou quem conta a história.