Por Juliana Maffia

Grace Kelly e James Stewart em ‘Janela Indiscreta’

 

 

É isso que ensina Janela Indiscreta, um dos melhores filmes (na minha opinião) do grande diretor inglês Alfred Hitchcock. O longa, rodado em 1954, traz dois fabulosos atores da época, James Stewart e Grace Kelly, que praticamente ofuscam o resto do elenco com um espetacular talento.

 

James Stewart faz o papel de L.B. Jeffries, um intrépido fotógrafo que quebra uma de suas pernas enquanto fotografava um carro capotando. Um homem acostumado a viajar para os lugares mais extremos do mundo e que fica confinado a uma cadeira de rodas por sete semanas. O fotógrafo, portanto, acaba adquirindo um hobbie um tanto quanto duvidoso, o de  espiar a vida de seus vizinhos pela janela. Em uma dessas ocasiões, o personagem vê o que não quer, um possível assassinato no prédio da frente. Mas nem sua enfermeira, Stella, nem sua namorada Lisa Fremont, interpretada pela incrível Grace Kelly, acreditam no que ele possa ter visto. Agora,começa a caçada por provas que indiquem se o assassinato realmente ocorreu, ou não.

Apesar de se tratar de um assassinato, o filme acaba circulando sempre o tema de amor e casamento. Jeffries esnoba sua linda namorada por acreditar que sejam diferentes demais, e apenas a aceita após colocá-la em perigo. Thorwald (o antagonista) quer Janela Indiscreta. Mas, como um bom filme hollywoodiano se livrar de sua mulher, pois ela é uma pessoa doente e ele já encontrou amor nos braços de uma amante. A história dos outros vizinhos de Jeff também se desenrola neste tema. Em uma janela vemos um casal recém casado, em outra uma mulher madura em busca de um grande amor, ainda em outra uma bailarina que espera seu namorado voltar da guerra. Enfim, o amor é uma temática bastante forte em tudo acaba bem.

Uma das coisas que mais chama atenção no filme é o magnífico cenário. Hitchcock construiu “um jardim” entre os apartamentos vizinhos, de tal forma que todas as janelas pudessem ser vistas. O espectador acompanha tudo o que acontece na vizinhança por meio da janela de Jeff. Tudo o que ele vê, nós vemos. Outro ponto impecável é a atuação de Kelly e Stewart. O que nós é apresentado não é aquele amor indiscutível onde tudo vai bem,vemos um casal em crise. Kelly, apesar de loucamente apaixonada, não consegue fazer com que Stewart se declare para ela. Um traço forte em todos os filmes de Hitchcock é a mulher manipuladora que consegue aquilo o que quer no final. De certa forma, Kelly mostra esse seu lado na última cena do longa.

Se querem conhecer o trabalho de um dos melhores diretores de suspense comecem por Janela Indiscreta, que pode não ter a mesma fama de Psicose ou Os Pássaros, mas é um filme muito bem realizado pelo mestre do estilo.

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