Por Renniê Paro

São Paulo, a maior cidade do País, acaba de ser cortada da lista de uma das maiores peças de teatro do mundo, o espetáculo August: Osage County, que aborda a vida de seu autor, Tracy Letts. Suicídios e os efeitos colaterais dessa ação são apresentados na peça, já vista por pessoas de Chicago, onde estreou em 2007, Lima, Montevidéu, Buenos Aires e países de toda a Europa. A cidade paulistana ficou de fora da lista por razões bem peculiares: falta de espaços de teatro que tenham capacidade e estrutura suficientes para receber grandes produções.

De acordo com Eduardo Toletino, diretor do Grupo Tapa, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, produzir uma peça desse porte aqui seria inviável, pois se tornaria uma produção capenga. “O cenário são três andares de uma casa. Não dá para montar e desmontar todos os dias. Seria preciso uma sala fixa, que ficasse só com essa peça. E isso, atualmente, é impossível”. Tal afirmação nos faz refletir sobre o investimento que é feito nos teatros. Sobram produções, nacionais e internacionais, de ótima qualidade por toda a cidade e, por outro lado, faltam espaços que comportem esses espetáculos. Ou pior, existem espaços que são completamente ignorados por produtores e outros que comportam mais de três peças ao mesmo tempo. Ou seja, há uma desigualdade na competição de espaços. A consequência? Temporadas cada vez mais curtas.

Os mais prejudicados com o “caos dramático” dos teatros paulistas são os musicais. Geralmente estes precisam de uma infra-estrutura maior e melhor elaborada que os demais espetáculos. De acordo com estimativa de Aniela Jordan, produtora da Aventura Entretenimento, em entrevista ao Estado de S. Paulo, somente três ou quatro salas comportam receber grandes peças. Outro movimento que dificulta a oferta de salas disponíveis é o fato do Municipal e o Cultura Artísticas, dois grandes e renomados espaços, estarem de portas fechadas.

Enfim, fica aqui a crítica e uma reflexão sobre investimentos aplicados na área de cultura, mais especificamente no teatro. Acredito que seja importante a criação de novos espaços e restauração dos já existentes, além, é claro, da criação de uma lei, ou algo que o valha, para estipular preços mais acessíveis e, desse modo, aumentar a demanda de público. Mas, isso já papo para um próximo post…