Por Marco Barone

Hoje nós chegamos ao último capítulo da história da Loira do Banheiro. Semana que vem estou de volta…

O tema é mais moderno do que se pode imaginar. O Orkut – site de relacionamentos muito popular no Brasil e no mundo –, por exemplo, conta com quase 200 comunidades sobre o tema e a participação de mais de 30 mil pessoas. Também há blogs e sites para discussão do tema.

Mas, vamos à verdadeira história. A loira do banheiro teve sua origem na redação do controvertido Notícias Populares – extinto jornal paulistano que ficou famoso em âmbito nacional por manchetes e histórias estapafúrdias –, mais conhecido como NP (o que se espremia e saía sangue).

Na edição de número 13, publicada em 1995, da saudosa Revista General – uma publicação dirigida a um público seleto e que trazia matérias muito boas sobre todos os temas, inclusive sobre coberturas jornalísticas – o jornalista Mario Luiz Serra narra à Rute Domitila o acidente fotográfico ocorrido em 1966 na redação do NP e que teria levado à criação (quase que involuntária) do boato da Loira do Banheiro.

Com o título “Eu inventei a Loira Fantasma – Tudo não passou de uma farsa!”, o experiente jornalista conta à publicação que pouco antes de fechar uma edição de domingo não havia uma matéria bomba, como estupro, mortes, coisas assim, digamos, dentro da pauta do jornal. Ligaram para o IML e não havia qualquer crime horroroso. Até que apareceu uma foto de uma funcionária com falha na revelação, um borrão na altura da boca.

“Alguém comentou que ela parecia um fantasma. Assim nasceu a manchete: ‘Loira fantasma aparece em banheiro de escola’”, disse Serra à Revista General, acrescentando que o “banheiro” foi usado somente para preencher o número de caracteres (letras) da manchete. Tudo foi um acaso. Bem, o NP nunca foi conhecido por seu compromisso com a verdade.

E o engraçado – ou culpa do imaginário do povo – é que a lenda pegou a estrada, ultrapassou fronteiras, cresceu e surgiram diversas versões. Mesmo com o próprio Notícias Populares, alguns meses depois, desmentindo a história com uma manchete (“Loira Fantasma era farsa”) e matéria explicativa, ninguém acreditou. A lenda já havia tomado corpo. A solução do NP foi criar uma nova lenda, o Bebê Diabo, para matar a Loira Fantasma. Mas isso é tema para outra edição.

“A loira do banheiro pode ser considerada uma histeria de um povo que precisa dar explicações lógicas para o que não compreende, como o medo do escuro, da solidão, etc. Ou seja, uma manifestação pura do inconsciente coletivo, que seria a soma das necessidades e potencialidades reprimidas de um conjunto de indivíduos, grupos, classes ou toda a sociedade”, explica o sociólogo Raimundo Graça Souza.

Anúncios