Por Marco Barone

“Pé de pato mangalô três veis!”. Tá, quem nunca usou essa expressão que atire a primeira pedra. Mas o que interessa saber é o que ela significa de fato. Ela é usada, geralmente, para que algo ruim que se fale ou pense seja afastado. Mas qual sua origem e significados reais?

Recentemente esse foi o tema de uma discussão no Facebook e me pediram para ser tema desta coluna. Vamos lá.

Depois de exaustivas pesquisas nas minhas fontes, sempre muito confiáveis e altamente históricas, encontrei um significado muito provável. Para entender o significado temos de dividir em partes.

“Pé-de-pato” é uma forma popular que antigos usavam para se referir ao capeta que, por superstição, não gostavam de pronunciar o nome do diabo. Outros nomes que se usavam: pé-cascudo, pai-do-mal, pé-de-cabra, pé-de-gancho, pé-de-peia etc. “Mangalô” é o nome Quicongo de uma planta, MA’NGOLO’NGOLO, usada em rituais de umbanda que deve ser usada para limpar o ambiente. Nesse caso, se quer dizer “vai de retro” ou “fique longe daqui”. “Treis veis” nada mais é que a distância a ser percorrida ou o número de vezes que se quer limpar o lugar. Portanto, “pé de pato mangalô treis veis” é “vai de retro satanás, para bem longe”. Assim, espantamos qualquer azar…

Já que estamos nesse tema, vamos a alguns significados de expressões que nossos avôs e avós usavam e que ainda hoje falamos. Coisas que nem imaginávamos a origem.

Mas será o Benedito ou somente Será o Benedito– A versão mais aceita é a de que a pergunta teria surgido na década de 1930, em Minas Gerais. O então presidente Getúlio Vargas demorava muito para nomear um interventor para aquele Estado. Naturalmente, a demora gerou inquietação entre os inimigos políticos de um dos candidatos ao posto, cujo nome era Benedito Valadares, que perguntavam “Será o Benedito?”.

À boca pequena– O Boca Pequena era um barzinho frequentado por membros da Academia Brasileira de Letras, desde a sua fundação. Era ali, tomando vinho do Porto, depois do famoso chá das cinco, que os imortais discutiam “à boca pequena” os nomes dos futuros integrantes da Casa de Machado de Assis. Seu proprietário era um português chamado Nuno Vasco, vizinho de infância de Machado no bairro do Juramento. Vide “Anais da Academia – Tomo I”, de Sousa Bandeira. Portanto, “à boca pequena”, surgiu ali.

Afogar o ganso– Há duas explicações plausíveis para a origem dessa expressão. A primeira diz que na China, os homens tinham o costume de manter relações sexuais com gansos e antes da ejaculação, afogavam a ave para que ela tivesse mais contrações. Já a segunda versão, diz que a expressão foi um eufemismo usado por Dom Pedro I em suas cartas para a Marquesa de Santos referindo-se às relações sexuais mantidas pelos dois, driblando a censura imposta pelo pai do príncipe para essas correspondências.

Olha o passarinho– Há mais de um século, quando a arte da fotografia surgiu, os equipamentos levavam alguns minutos para fixar a imagem nos filmes. Assim, as pessoas precisavam ficar paradas durante esse tempo e a dificuldade era ainda maior quando havia crianças na pose. Para chamar a atenção delas e mantê-las olhando em direção à câmera, os fotógrafos colocavam uma gaiola com passarinhos ao lado da máquina e diziam: “Olha o passarinho!”. A expressão se popularizou e ainda é usada para chamar a atenção das pessoas na hora de tirar a foto.

Lágrimas de crocodilo– Quando os crocodilos ficam muito tempo fora da água, suas glândulas produzem uma secreção para lubrificar seus olhos. Uma outra situação em que esses répteis ‘choram’ é quando, no ato de mastigar sua presa, o animal pressiona as glândulas lacrimais. Com o passar dos anos, a sabedoria popular consagrou a expressão “lágrimas de crocodilo” como sinônimo de todo choro que parece fingido ou hipócrita.