Por Renniê Paro

Imagine-se vivendo nas residências brasileiras do século XIX. Sem querer me estender ou parecer aquelas chatas de galocha que adoram falar sobre história (não que eu não goste rs), mas esse período ficou marcado pela intensa migração dos nossos compatriotas portugueses para o Brasil. Todos os dias milhares e milhares de pessoas desembarcavam nos portos tupiniquins e invadiam (no bom sentido) as cidades portuárias e as redondezas.

Agora pensando nas instalações…na época as moradias mais comuns, e baratas, eram os chamados cortiços. Quando olhamos no nosso grande amigo Dicionário, encontramos a definição “habitação coletiva das classes mais baixas”. Deixando as frases demagogas de lado, ao visitarmos um cortiço constatamos que a definição é verdadeira.

Ok ok…estou falando um monte e meu tema é teatro. Eu sei! Dei uma pequena introdução para situá-los sobre o roteiro da peça Hygiene, com direção de Luiz Fernando Marques.

O espetáculo é baseado em uma pesquisa do processo de higienização urbana no Brasil do fim do século XIX, no contexto apresentado anteriormente. Os personagens dividem o mesmo teto de um cortiço do Rio de Janeiro e trazem à tona características que vão marcar profundamente a construção da identidade brasileira e a desigualdade social. O samba, o sincretismo religioso, as lutas operárias, entre outras manifestações sócio-culturais tiveram seus embriões gerados nessas habitações coletivas.

Esse é o último final de semana para quem deseja apreciar a peça. Não perca a oportunidade de assistir a um espetáculo que proporciona um ângulo diferente sobre a vida cotidiana de nossos antepassados (nem tão passados assim né?!)

Serviço

Antigo Boticário
Rua Mário Costa, 13 (Belenzinho)
Tel: (11) 2081-4647
Ingressos: R$ 30,00
Duração: 80 minutos. Censura: 14 anos.