por Fernanda Beziaco

Chegou mais uma sexta, que alegria!
Hoje não vou falar de nenhum livro, mas não fiquem assustados, é apenas dessa vez.

Particularmente perdi a conta do número de livros que já li, assim como perdi a conta do número de contos que já escrevi, porém, não me canso.

Ler e escrever são hábitos gratificantes.

Existem livros inesqueciveis, daqueles que você lê e quer reler e é sempre gostoso. Muitas vezes, escrever é a grande manifestação de sentimentos, de emoções que precisam ser expelidas.

Mas, porque eu resolvi falar sobre isso hoje? A resposta é simples e tem a ver com minha história.

Acreditem caros leitores apesar de escrever todos os dias eu tenho dificuldade para escrever ficções, melhor dizendo, eu tenho dificuldade em continuar. Escrevi algumas dezenas de primeiros capítulos, mas não consigo avançar mais do que o quarto ou quinto. Fico travada.

Então, fiquei pensando, como, meu Deus, como é que os escritores conseguem escrever livros inteiros? O que eles fazem?
Dizem que todo escritor é meio louco, talvez, penso eu, que minha loucura não seja o suficiente para terminar uma história. E, essa semana conversei com tantas pessoas a respeito disso que achei interessante trazer a discussão para o blog.

Para não deixá-los curiosos, escolhi um pequeno texto escrito por mim para vocês avaliarem. Fiquem a vontade e abram a matraca para contar o que acharam.

O texto não tem nome, chamei apenas de projeto. Conta a história de uma mulher que vai se apaixonar…

(…)
Bia desligou o telefone. Continuou deitada, dessa vez olhando para o teto. Seu apartamento não era tão grande, mas era o suficiente para ela. Um quarto espaçoso, uma sala razoável para receber alguns poucos amigos, uma cozinha dividida com área de serviço – para ela que gostava de se arriscar na cozinha de vez em quando era especialmente apertada – um banheiro que ela realmente gostaria que fosse maior. Naquele momento, seu quarto estava bastante bagunçado, praticamente todos os sapatos jogados no chão, as roupas no pé da cama, livros espalhados pela sua pequena escrivaninha, papéis misturados em suas prateleiras. Ela precisava colocar tudo em ordem, mas sua preguiça a impedia. Só conseguia pensar em sua mãe e seus telefonemas rotineiros para lembrá-la da vida que não leva.

Em alguns meses Bia completará 30 anos. Isso estava mexendo com seus nervos.

(….)
Mas, aquele estava prestes a ser um dia fora do comum. Por volta de meio dia chegou uma mensagem no celular dela.

Bia me liga por favor, é urgente!

Era de sua amiga Vanessa. Enquanto ligava, sua mente ficou perturbada – o que poderia ter acontecido? –

– Van? O que houve? Acabei de receber sua mensagem.

Em prantos sua amiga mal conseguia falar.

– É o Fábio. Ele sofreu um acidente de carro, está no hospital e eu não sei o que fazer. Você pode vir pra cá, por favor?

Bia largou tudo e foi direto ao hospital. Vanessa estava arrasada. Ao que parece ele estava em coma, mas os médicos ainda não apareceram para dar as más ou boas notícias.

Enquanto Bia consolava sua amiga, Paulo, pai de Vanessa, chegou. E, por algum motivo que Bia não entendeu na hora, ela ficou vermelha e seu coração pareceu acelerar. Eles se cumprimentaram, Paulo perguntou a Vanessa se ela queria alguma coisa. Todos pareciam preocupados, as vezes mais com a Vanessa do que com Fábio.

Os médicos avisaram que demoraria algumas horas, eles precisavam fazer exames diversos, talvez até operá-lo. Vanessa estava impaciente, com raiva, um turbilhão.

– Eu vou buscar um café, você quer alguma coisa? – Bia estava cansada de ficar sentada, precisava esticar um pouco as pernas, tomar um ar – Vanessa fez que não com a cabeça e Bia se sentiu livre para dar uma volta pelo hospital. Enquanto caminhava a caminho da cafeteria, Paulo a alcançou.

– Fabiana? – Ela olhou para trás pra conferir que era ele a chamando e abriu um sorriso sem animo – Vai tomar um café?

– Vou sim. Estou precisando muito de cafeína.

– Eu também. Te acompanho então.

Ela apenas concordou com a cabeça.

Os dois caminharam sem trocar mais nenhuma palavra até chegar a cafeteria. Uma espécie de tensão pairava no ar. Bia sentia queimar por dentro. Seu sangue corria quente. Ela se sentia febril e embaraçada. Tinha a impressão de que a qualquer momento Paulo ia comentar que ela estava corada demais e se estava passando bem.

Ele estava mais charmoso do que ela podia lembrar. 52 anos, se ela não estava enganada. 22 anos de diferença, era o que ela pensava enquanto tomava o café, como se isso fosse o fator mais importante naquele momento. (…)

Ok, por enquanto é isso. Não posso por tudo aqui (é muito grande rs). Mas, espero que gostem desse post inusitado. Se ficarem intrigados com a história, mandem um comentário com seu e-mail e eu envio (inacabada é claro) para vocês.

Até a próxima sexta!

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