Por Marco Barone

Quando a assunto é comida, é possível também saciar-se de informações. Então vamos a mais algumas curiosidades sobre o tema que nos faz muito bem:

Que o panetone tem origem italiana isso todos sabem, mas como ele foi criado já gerou uma série de versões. A história mais popular diz respeito a um nobre jovem milanês, membro da família Atellini, que se apaixonou pela filha de um padeiro chamado Toni. Para impressionar o pai da moça, o jovem se disfarçou de ajudante de padeiro e inventou um maravilhoso pão, de rara delicadeza e tamanho incomum para a época, cujo topo foi moldado em forma de cúpula de igreja. Como esse pão fez um grande sucesso, o jovem apaixonado passou a dizer que a receita era da autoria do Toni, o sogro e dono da padaria. Depois desse dia, o movimento na casa aumentou de forma considerável. A esse “bolo de frutas” deu-se o nome de Pão do Toni, conhecido mundialmente como Panetone.

Outra maravilha doce, agora de páscoa, a colomba pascal, também tem uma origem interessante. A história conta que um rei lombardo de nome Alboino, furioso com a extrema resistência militar, imposta pela cidade de Pávia, somente acalmou-se e deixou de lado os seus propósitos de vingança, ao ganhar de um padeiro da cidade rival, um pão doce, em forma de colomba (pomba em italiano) que representava a paz. Com um sabor suave e preparo mais delicado, a colomba se diferencia do panetone pelo sabor mais acentuado pela casca de laranja cristalizada, que substitui as uvas passas, e por conter mais manteiga e ovos.

No outro post falamos da origem do arroz, cultivado há mais de 7 mil anos por chineses e indianos. Mas e o feijão? Há discordância sobre sua origem. Alguns dizem que veio da Índia, outros afirmam ser nativo da América do Sul. Sabe-se que era cultivado na África antes de 1500 e que o Brasil ganhou mais variedades após a colonização. E a mistura de arroz com feijão, quem inventou isso? Pelo que se sabe é uma coisa recente.  O feijão com arroz nem sempre foi a principal combinação na mesa do brasileiro. A mistura feijão com farinha de mandioca era mais comum. O arroz com feijão começou a ganhar intensidade com a urbanização do Brasil, a partir do século 19. Principalmente nas mesas das famílias ricas e de classe média. Pois é feijão com arroz era prato de gente rica.

Agora alguns mitos que vieram dos tempos de antanho, como não poder comer manga e beber leite, que poderia até causar morte. Sosseguem, isso é puro folclore e tem origem no tempo da escravidão. Os senhores de engenho, para que os escravos não tomassem leite e nem comessem as mangas da propriedade, inventaram esse mito! E a crença se disseminou, pois ainda hoje existem pessoas que falam que essa mistura agride o organismo. Mas não se preocupem: manga com leite não causa indigestão e nem faz mal!

Pegar um doce com a colher, colocar na boca essa colher e novamente colocar no doce pode azedar o acepipe? Lenda! Não é que esse ato – nojento para muitos – vá azedar o doce. O que ocorre de fato é que nossa boca, por mais que escovemos, é cheia de micróbios e enzimas. Quando levamos a colher à boca e de nove ao doce, os micróbios se multiplicam e decompõem o alimento, transformando-o em outras substâncias, dentre elas alguns ácidos. É por isso que o doce pode azedar.

Tá, isso era mais usual no passado, antes do micro-ondas, mas os mais antigos esquentaram muita comida em banho-maria: cozinhar lentamente alguma coisa mergulhando um recipiente com a substância em água fervente. Mas qual a origem desse costume? Ela tem origem em uma alusão à alquimista Maria, possivelmente irmã de Moisés, o líder hebreu que viveu entre os séculos XIII e XIV a.C. Foi ela quem inventou o processo. Há quem diga que também pode ser uma referência à Virgem Maria, símbolo de doçura, pois o termo evoca “o mais doce dos cozimentos”.

Que tal um café de fezes pagar uma fortuna pelo pingado? Pois é, o café mais caro do mundo é feito de fezes de um animal. Kopi Luwak são grãos de café produzidos pelas fezes de um animal da Indonésia, o luwak, um mamífero do tamanho de um gato. Por ser um produto raro (apenas 230 quilos são produzidos por ano), o Kopi Luwak é muito apreciado pelos amantes do café. Os animais comem somente os melhores grãos de cafés maduros, e, depois de passar por um processo natural de fermentação, eles defecam o grão que será utilizado para a produção do café. O quilo do grão custa cerca de R$ 1.500, e é vendido principalmente para o Japão e Estados Unidos, mas está se tornando cada vez mais apreciado em outras regiões. Depois de saber disso, restam algumas perguntas: quem descobriu isso? Quem foi o primeiro a experimentar essa iguaria?

Para finalizar. Quem consegue imaginar a idade do gênio que inventou o picolé? Imaginem só, 11 anos. No nome dele era Frank Epperson e, como muitas maravilhas, foi feita sem querer. O ano foi 1905 e ele esqueceu uma mistura de pó refrigerante e água do lado de fora de casa. Ele morava em São Francisco, nos EUA. Nesse dia, a temperatura caiu muito, fazendo com que a mistura se transformou em um bloco colorido de gelo. Somente 18 anos depois é que ele resolveu patentear a invenção, batizando-a de “picolé”.

Outra vez retomamos o assunto, pois não faltam informações.