Por Antonio Saturnino

Eu tinha uma grande interrogação sobre o filme que eu comentaria para marcar minha estreia aqui no espaço de cinema. Estava deitado debaixo das cobertas no meio da tarde, um perfeito clima de “Sessão da Tarde” e daí veio a inspiração: escrever justamente sobre um dos clássicos das tardes dos anos 80 e 90.

Revirei meus DVDs, juntei meus sobrinhos e, com muita pipoca, assistimos Jamaica abaixo de zero (Cool Runnings). O filme, lançado em 1993, é uma produção da Disney e conta a história de quatro jamaicanos que decidem competir na corrida de trenó nas Olimpíadas de Inverno.

Vamos nos situar. A Jamaica é uma ilha caribenha, ou seja, local de clima predominantemente quente. A neve sequer chega perto da região, o que a torna um lugar completamente inapropriado para a prática da modalidade.

Tudo começa em uma disputa de atletismo. A corrida dos 100m rasos decidiria o velocista que representaria o país nas Olímpiadas de Verão que aconteceriam em Seul. Derice era o grande favorito na prova, mas encontra um forte adversário, Yul. Logo após a largada ambos veem o sonho se desmoronar após o atrapalhado Júnior cair e derrubá-los.

Derice fica sabendo sobre o americano Irwin Flitzer, interpretado por John Candy (rosto bem conhecido nas produções clássicas das décadas de 80 e 90), que anos atrás havia tentado montar uma equipe de trenó na Jamaica e decide encontrá-lo e convencê-lo a treiná-los para formar o time pretendido no passado. O quarto integrante do grupo seria Sanka, o mais engraçado da turma e melhor amigo de Derice.

Treinador convencido e equipe formada, eles se deparam com a falta de incentivo e falta de recursos para custear treinos e viagens. Já no Canadá, país sede das olimpíadas de 1988, eles se deparam com um novo e forte adversário, o frio! Ainda pior que a temperatura foi lidar com o preconceito por parte da organização do evento e dos competidores, afinal, era um grupo aparentemente destinado ao fracasso.

As perseguições são ainda mais intensas, pois Flitzer, bicampeão olímpico da modalidade pelos Estados Unidos, anos atrás havia sido descoberto em uma trapaça. Durante uma competição ele escondeu pesos no trenó para que ele fizesse o percurso mais rapidamente.

Contra tudo e todos eles conseguem a classificação para os jogos e se destacam nas primeiras provas, inclusive com chances de medalhas, se tivessem um bom desempenho no último dia da disputa.

Após o sinal verde para a partida, o grupo abre mão do “eins, zwei, drei” (um, dois, três) copiado dos suíços e largam ao estilo jamaicano gritando: “Sente o ritmo! Sente a rima! Levanta, moçada! É a hora do trenó! Jamaica Abaixo de Zero!”.

Eles fizeram uma saída perfeita e um dos inícios de trajeto mais velozes, porém uma falha no carro resultou em um acidente aparentemente grave. Ao abrir os olhos, certificar-se de que todos estavam bem, e perceber que estavam a poucos metros da linha de chegada, o líder Derice diz: “Precisamos completar a corrida”. Com a equipe de socorro se aproximando, os quatro colocam o trenó sobre os ombros e completam o trajeto, arrancando aplausos de toda plateia e orgulhando uma nação inteira.

Isso pode parecer uma receita batida do estilo americano de fazer filme, mas a história é real, o que torna o final da trama ainda mais emocionante. A produção se desenvolve de maneira bem humorada, mas sempre com uma lição de vida como pano de fundo.

Na história real, parafraseando as considerações finais do filme, eles voltam à Jamaica como heróis e quatro anos mais tarde eles voltaram às olimpíadas como iguais.