Por Antonio Saturnino

Quem me conhece sabe como sou fã dos anos 80. Gosto das roupas, dos filmes, séries japonesas, desenhos e, principalmente, da música. Eu fui criança durante toda essa década, mas lembro-me claramente das festas de família e minhas irmãs dançando ao som de George Michael, Cindy Lauper, Erasure e demais ícones do movimento, se é que podemos chamar assim.

Revirando meus CDs e meus empoeirados LPs, encontrei algumas coisas do A-ha que eu não ouvia há bastante tempo e resolvi tirar o atraso. Eles têm tanta coisa bacana, que fico até triste quando alguém me diz que os considera uma banda de um hit só.

No ano passado, o grupo anunciou o fim da parceria depois de quase três décadas juntos, durante as quais lançaram 17 álbuns, fizeram turnês incontáveis e colocaram várias canções nas paradas de sucesso. Devo confessar que não botei muita fé de que o grupo acabaria, afinal, não era a primeira vez que fizeram tal anúncio. Mas parece que dessa vez foi para valer. Como despedida, eles viajaram pelo mundo e se apresentaram em cada canto do planeta (desculpe o exagero), sete desses shows foram aqui no Brasil e um deles, aqui em São Paulo, contou com minha ilustre presença.

Os “cinquentões” Morten Harket (vocal), Paul Waaktaar-Savoy (guitarra) e Magne Furuholmen (teclado), sem perder o charme, continuavam arrancando gritos das fãs apaixonadas e engana-se quem pensa que “tietagem” é coisa de adolescente, pois o público era formado, principalmente, por pessoas de mais idade, mas vale tudo em uma despedida.

Fizeram parte do repertório os sucessos, “Stay on these roads”, “Crying in the rain”, “Living day lights”, “Hunting high and low” e, claro, “Take on me”, essa já no bis. Mais uma vez senti falta do sucesso “You are the one”, mas foi um show impecável. O que mais me impressionou foi ver o Morten, mesmo depois de tantos anos, cantar todas aquelas notas super altas com afinação invejável, embora a memória o tenha traído algumas vezes durante a apresentação.

Enquanto vemos muitos artistas das décadas passadas tentando, sem sucesso, modernizar-se e caindo no esquecimento, o A-ha mostra que a fórmula e magia dos anos 80 pode ainda dar certo nos dias de hoje, principalmente com a efervescência nostálgica em que vivemos.