Por Antonio Saturnino

Olá galera!!! Hoje eu invado o espaço de artes para bater mais um papo com vocês.

Desde o início da semana, quando eu soube que ocuparia este espaço hoje, fiquei pensando sobre que Mostra eu escreveria. A inspiração só me veio ontem, quando saia de casa para trabalhar e passei pelo monumento do “14 Bis”, na zona norte da capital. A réplica do invento de Santos Dumont, exposta a céu aberto no Campo de Bagatelle, me fez pensar sobre todas as outras obras de arte que estão espalhadas pelos passeios, praças e parques de São Paulo. Basta andar pela cidade para estar em uma exposição e apreciar belas criações.

Vamos então abordar algumas dessas obras que talvez estejam pelo seu caminho e nunca receberam a devida atenção.

É impossível andar pela Praça da Sé sem reparar no abandono do espaço e a triste situação das pessoas em situação de rua que ficam por ali. Olhando por outra perspectiva, é um jardim repleto de arte. Lá está permanentemente exposto o monumento Marco Zero, de Jean-Gabriel Villin e Américo Neto, além de outras 16 obras de arte como uma estátua do Padre Anchieta e uma escultura em chapas de aço do austríaco Franz Weissmann. Isso sem falar na constante manifestação cultural de populares que aproveitam o espaço para mostrar o talento, são cantores, mágicos, mímicos, palhaços e até pastores (eles são tão criativos que até podem ser considerados artistas).

De todas as obras da capital, a mais famosa e nosso cartão postal, é o Monumento às Bandeiras, mais conhecido como “Empurra-empurra” ou “Deixa que eu empurro”. Inaugurada em 1954, a criação de Victor Brecheret, o maior escultor da Semana da Arte Moderna, dá um toque especial à vista do parque do Ibirapuera. O artista tem outras obras espalhadas pela cidade, como Duque de Caxias, na Praça Princesa Isabel e Depois do Banho, no Largo do Arouche, além de outras mais em cemitérios da cidade (aliás, tirando o lado sombrio, alguns cemitérios têm belíssimos monumentos).

Em se tratando de arte urbana, São Paulo é referência mundial. Os grafites pelos murais da cidade dão criatividade a muitos espaços antes abandonados. Talvez um dos mais conhecidos seja a criação da dupla Osgemeos no Elevado Costa e Silva. Outros notórios encontram-se em toda extensão do túnel da Avenida Paulista e nas paredes e portas de lojas do baixo Augusta e em vários pontos da cidade.

Muito triste é constatar que grande parte dessas obras é alvo de depredação e, quando não são mantidas pela iniciativa privada, tornam-se retrato do abandono. O programa “Adote uma Obra Artística” visa atrair investimento de empresas, mas, atualmente, de cerca de 400 obras espalhadas pela cidade, apenas 33 foram adotadas. Os principais motivos do desinteresse são a falta de incentivos fiscais, a Lei Cidade Limpa (que limita a exploração publicitária da restauração) e o alto risco da manutenção.

Bom, existem várias obras que eu poderia citar, mas não quero me estender demais. Empresas adotem as obras da cidade. Governo crie incentivos para isso. Povo valorize a arte ao seu redor.

Matraqueiros lembrem disso quando andarem pela cidade novamente, vejam as linhas e formas arquitetônicas, apreciem os monumentos, as pinturas… Viva São Paulo em toda sua intensidade cultural.