Por Fernanda Beziaco

José Saramago é um autor muito curioso. Seus livros são interessantes de um forma que eu não consigo explicar. Ao mesmo tempo em que crítico, irônico, cômico… tudo misturado.

A leitura dessa semana foi Caim, que é uma releitura de Saramago para o livro do Gênesis. O autor, que também escreveu O Evangelho segundo Jesus Cristo, tenta em Caim “desvendar” os mitos por trás da história do começo do mundo e a geração prima.

É um texto bastante denso, apesar de curto e em alguns momentos divertido. Requer do leitor atenção e até um pequeno dicionário pra acompanhar, pois muitas palavras utilizadas ao longo da história não são usuais. Ainda sobre gramática, é possível encontrar palavras como facto, distracções, o que para mim foi estranho, visto o costume em não utilizar os c´s obsoletos.

A versão do livro que li é da Companhia Das Letras, 3ª reimpressão, 2009. Talvez, esses detalhes gramaticais tenham sido mantidos de propósito, já que a história remete a um tempo longínquo.

Saramago inicia seu conto colocando adão e eva em cena, assim como deus, todos no jardim do éden, vivendo o paraíso até acontecer o fatídico primeiro grande pecado do ser humano, comer o fruto da sabedoria.

A destinação do casal, expulso do éden, a vida após o paraíso, o nascimento de seus filhos. A história passa por elementos bíblicos e brinca com novos cenários. A imaginação fértil de Saramago faz pensar que abel, foi nascido loiro, pois eva teria tido relações com um querubim para poder comer frutos do éden quando passavam fome no exílio.

Depois, o assassinato de abel por caim, que divide a culpa do homicídio com o senhor, visto que ele poderia tê-lo impedido se quisesse, sendo ambos culpados da morte. Após o desfecho do primeiro homicídio bíblico, Saramago começa a contar as andanças de Caim.

A grande sacada da história talvez seja exatamente porque a vida de caim na bíblia não nos é contada, dando margem a interpretações diversas.

Claro que para um religioso, o livro pode ser ofensivo, porém é necessário ter essa leitura como um romance ficcional, o que ele é de fato e não levar em conta seus princípios religiosos, ou vai acabar com ódio mortal do escritor.

Já leu? Abra a matraca. Não leu? Abra a matraca. Quer ler? Abra a matraca. Faça o que tu queres, mas abra a matraca antes de sair😉 Até a próxima pessoal!

OBS: Os nomes dos personagens estão todos em letra minuscula, pois é assim que são retratados na história.