Por Renniê Paro

Tem um trecho de uma música dos Titãs que eu, particularmente, achointeressante. “Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça”. Não se assustem. Essa frase não tem nada de mórbido ou coisa que o valha. Ela apenas retrata que, algumas vezes, é complicado conviver com a incrível quantidade de lembranças que acumulamos ao longo da vida.

Ela, a memória, é o ponto de partida do espetáculo “O Jardim”, do autor e diretor Leonardo Moreira, da Cia. Hiato. A narrativa aborda as memórias perdidas, a partir do estudo da doença de Alzheimer, bem como as memórias que nunca se apagam e as memórias inventadas. “Nossa ideia é dar um olhar jovem sobre a fragilidade das memórias que inventamos, das histórias que não nos abandonam, daquelas perdidas no caminho e sobre o que colecionamos em nossas caixas mais secretas”, enfatiza o Moreira.

Por Tatit Brandão

“O Jardim” pretende se conectar ao público por meio de uma narrativa múltipla, reinventada pela reapropriação de episódios clássicos da literatura. Um deles é o trecho de “Em busca do Tempo Perdido”, de M. Proust, em que a degustação de um simples bolinho, mergulhado em uma xícara de chá, abre as portas para a memória de uma vida inteira. Acredito que seja assim com todos nós. Cada som, cheiro ou pequenos detalhes do dia-a-dia têm o poder de nos transportar para uma situação que já vivemos anteriormente.

Por Tatit Brandão

Um dos embasamentos da peça é a autobiografia do neurologista ganhador do Prêmio Nobel Eric M. Kandel. Na obra, são descritos os processos biológicos de memória e aprendizado. Outras fontes de inspiração são as fotografias e a narrativa extremamente emocional do fotógrafo Philip Toledano, além dos escritos verídicos de um esquizofrênico e depoimentos pessoais dos atores-criadores: familiares, lembranças, fotografias e objetos que guardam memórias.

O Jardim está em cartaz no SESC Belenzinho até o dia 3 de julho. Uma ótima oportunidade para reflexões.

E você, quais são suas lembranças mais queridas? Para onde elas o levam?