Por Antonio Saturnino

No último final de semana, após viajar 1h20 de avião e mais 9h de ônibus, a temperatura congelante de -3°C me dava a certeza de que eu estava no Sul. Mais precisamente em Uruguaiana, fronteira com a Argentina.

Andar pelas ruas e ver os gaúchos caminhando pilchados (vestidos com as tradicionais bombachas e demais adereços típicos) e tomando chimarrão pelas praças, me fez perceber como este povo se sente orgulho por suas origens e tradições. Isto é tão forte que, não raramente, é possível assistir as belas apresentações de invernadas pelas ruas, sem falar nos desfiles da Semana Farroupilha, culminando com o Dia do Gaúcho (20 de setembro).

Hoje meu post será dedicado a este povo e a música dos pampas. Nada de “Tchê Garotos”, a versão mais comercial da música gauchesca, mas sim o genuíno e tradicional.

Talvez “Os Monarcas” e “Os Serranos” sejam, atualmente, os maiores representantes da música gaúcha. A gaita, nome pelo qual o acordeon é conhecido por lá, é o instrumento com presença marcante nas melodias e, na cultura, um dos mais tradicionais. Algo característico nas composições é a declamação do amor por sua terra, cultura e raízes, além da lembrança de suas conquistas. Quem, como eu, já teve a oportunidade de viver no Rio Grande do Sul sabe que este sentimento é realmente muito forte.

Para os menos habituados com os termos gaúchos, talvez seja necessário algum tipo de dicionário ou intérprete, pois estas expressões são utilizadas frequentemente.

Em tempos de globalização é muito bacana ver culturas regionais sobreviverem. Aos paulistanos mais apaixonados pelas tradições riograndenses, em São Paulo tem um, ou dois, CTGs (Centro de Tradições Gaúchas), onde é possível tomar um bom chimarrão, ouvir um vaneirão, dançar a chula, encher o peito e gritar “eu sou do sul”.