Por Flávia Lezza

Você sabia que os catadores de papel da região de Pinheiros, Jardim Paulista, Consolação e Perdizes têm uma cooperativa para auxiliar neste trabalho autônomo? Pois é, ela existe desde 1989.A Coopamare (Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis) foi fundada a partir da organização feita pela OAF – Organização e Auxílio Fraterno que promoveu uma festa chamada de “Missão”, que serviu para reivindicar os direitos de cada um. Para a organização da festa os catadores tiveram que doar a renda inteira de um dia de trabalho. Hoje a cooperativa está localizada sob o viaduto Paulo IV em Pinheiros e conta com o apoio de empresas parceiras que auxiliam na doação de materiais, suporte técnico, assistência financeira e social.

Na época da formação da cooperativa eram 20 catadores. Atualmente são cerca 80 que se dividem em cooperados e associados e 120 avulsos que passam por lá todos os dias. Como o trabalho deles é feito a pé e com a carroça existe uma área limitada para atuação.

O espaço é aberto para quem quiser fazer parte do projeto, desde que colabore com as práticas estabelecidas pela Coopamare. Como sócio, para ter direitos ao uso de bens e serviços, o catador precisa contribuir com a conservação do local.

Existem duas categorias de catadores: o cooperado e o associado. Para os cooperados, esta é uma oportunidade de reestruturação e reintegração com a sociedade. É por meio de diversos cursos oferecidos pela cooperativa que eles encontram suporte para desenvolver atividades que geram lucro e ainda participam de um processo extremamente importante nos dias de hoje: a reciclagem. Já para os associados, é um pouco diferente. Como eles só vendem o material coletado a cooperativa, não participam das demais atividades oferecidas.

Para se associar o cooperado exerce suas atividades de coleta na rua normalmente e entrega para a cooperativa que processa e comercializa os materiais em condições melhores. A Coopamare antecipa os valores de comercialização e retém um pequeno valor como taxa administrativa para os custos da cooperativa. O associado consegue um preço melhor do que em outros lugares que compram material, mas ficam restritos aos direitos que os cooperados se beneficiam.

Na maioria homens, chegam a coletar cerca de 200 quilos de diversos materiais como papel, plástico, vidros, latinhas, entre tantos outros objetos que podem ser reciclados.

Talvez você não saiba, mas, a Coopamare conseguiu um decreto que reconhece o trabalho do catador como atividade profissional garantindo o direito ao trabalho. Além disso, os catadores recebem cursos de capacitação e assim eles ganham respeito e valorização do seu trabalho frente aos comerciantes, empresas e comunidade que reconhecem seu trabalho. Esse respeito vem também por parte do profissional que se pauta por em código de ética profissional especifico da área que explica os valores da profissão e as regras básicas e essenciais de atuação.

Para mais informações acesse: http://www.coopamare.org.br e na próxima semana mais detalhes sobre coleta seletiva e reciclagem de materiais. Até lá!