Por Juliana Maffia

Quem não se orgulha de ter um diretor brasileiro em Hollywood? Quem não se orgulha de ter um filme homenageando a mais famosa das cidades brasileiras? Por isso, quando Rio foi anunciado tínhamos tudo para comemorar. Um filme sobre o Brasil nas mãos de um de nós, Carlos Saldanha, ainda por cima o diretor por trás de A Era do Gelo. Se ele repetisse a fórmula saberíamos que o resultado seria bom.

Os bichinhos fofinhos

Rio é um filme infantil instantaneamente clássico. Tem aventuras e animais falantes, além de algumas músicas no meio do caminho. Conhecemos a pequena arara azul, Blu, que é retirada de seu lar e levada para os Estados Unidos. Lá, Blue encontra o amor incondicional na dona, Linda. Porém, Blu é o último de sua espécie e precisa voltar para sua terra natal. Já no Brasil, o pássaro conhece muito nativos prestativos, além de conhecer sua futura companheira, Jewel. Mas nem tudo é lindo em terras tupiniquins. Eis que surgem os contrabandistas de animais silvestres, que roubam  animais em extinção. Os pássaros raros, Jewel e Blue correm perigo.

Como disse, Rio tem tudo que um filme para crianças precisa. Blu pode não ser um personagem muito carismático, mas ao menos em outros personagens que podem roubar a cena, como o tucano Rafael, o bulldogue Luiz e a própria Jewel. A mensagem do filme, como de costume, é bonita. Basta você querer e ser perseverante que alcançará  tudo o que quiser. Além de uma porrada de outras mensagens como, a importância da família e afins. Todas elas velhas conhecidas dos filmes para criançinhas.

Confesso que rolaram lágrimas nesta parte do filme

Até ai tudo ok. Mas, onde Saldanha decepcionou a nós brasileiros? Talvez ele resida nos Estados Unidos há muito tempo e não tenha se libertado de alguns “pré-conceitos” ao fazer seu roteiro. Pois é este preconceito que fica evidente no enredo. Os vilões moram em uma favela, macacos assaltam os turistas gringos, tudo acaba em samba. Será que isso tudo era necessário?

Não sei bem se Saldanha quis se aproveitar da popularidade da cidade ou se realmente queria fazer algum tipo de homenagem. Mas,parece que ele abusou dos clichês que seriam facilmente engolidos pelos americanos, como a pobreza, o samba, a falta de roupa e a criminalidade. E no final pouco se preocupou no que os brasileiros pensariam da sua obra. De qualquer forma os pequenos vão adorar o filme, os grandes também, se ignorarem certas partes da história. Sobre o filme posso dizer apenas uma coisa, com bastante propriedade, ele obviamente não é um Pixar.