Por Marco Barone

Antes de começar o post, vamos explicar a expressão usada no título, pois nem todos são aficionados em histórias em quadrinhos. Professor Pardal é um personagem criado por Walt Disney que era um grande inventor. Geralmente criava coisas inacreditáveis, mas que sempre funcionavam.

Agora sim, vamos ao texto. Brasileiro nunca teve a fama de grande inventor. A exceção mais conhecida é, sem dúvida, Santos Dumont, que para nós e para os europeus foi o inventor do avião. Só os americanos é que não dão esse crédito, preferindo reconhecer os irmãos Wright. Mas o que nos interessa aqui são as invenções que o mundo usa, mas que não tem ideia dos seus criadores que, claro, foram brasileiros. Selecionamos aqui algumas para aqueles dias em que falta assunto para nossas conversas.

Relógio de pulso – Esta é também, uma criação de Santos Dumont e tem relação com seu mais conhecido invento. Se bem que ele deu a ideia e o que precisava que fosse feito, mas a criação foi de outra pessoa. Ele queria checar seu tempo de voo em testes de velocidade mais rapidamente do que seria capaz com um relógio de bolso (chegou a improvisar um relógio de bolso amarrado ao pulso por um lenço). Santos-Dumont foi amigo de Louis Cartier e encomendou a ele um relógio mais fácil de usar do que o de bolso. Cartier criou em 1904 para Alberto Santos Dummont o relógio de pulso em formato quadrado – o modelo Tank, com pulseira de couro, que o relojoeiro denominou Santos e é reproduzido e vendido até hoje, com sucesso.

Escorredor de arroz – Criado pela cirurgiã-dentista Therezinha Beatriz Alves de Andrade Zorowich. Cansada de chegar do trabalho e o ralo da pia estar entupido, resolveu criar esse utensílio em 1959. Para a empregada não entupir a pia, ela inventou o escorredor de arroz, uma espécie de bacia conjugada a uma peneira em uma de suas extremidades que facilita a lavagem de alimentos.

Cartão Telefônico – Feito de PVC e com um circuito elétrico ligado a pequenas superfícies metálicas, foi criado pelo engenheiro Nélson Guilherme Bardini em 1978, quando trabalhava na Telebrás. Mas ele só foi implementado oficialmente no Brasil em 1992.

Bina – Na definição do seu criador, Nélio Nicolai, “B identifica número de A”. O identificador de chamadas para telefones e celulares foi criado por ele em 1977, que o patenteou em 1981

Copo Americano – O típico copo de botequim foi inventado pelo designer Nadir Figueiredo em 1947.

Coração Artificial – Criado em 2000 pelo engenheiro mecânico Aron de Andrade, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (SP), tem o tamanho de uma bola de tênis e é feito de poliuretano. É ligado ao coração natural e alimentado por um motor elétrico.

Abreugrafia ou Raio-X – Criado por Manuel Dias de Abreu em 1936, esse método rápido e barato de tirar pequenas chapas radiográficas dos pulmões, para facilitar o diagnóstico da tuberculose, doença mortal no início do século 20. O teste, que registra a imagem do tórax numa tela de raio X, espalhou-se pelo mundo. Manuel de Abreu foi indicado ao Nobel em 1950 e teve o invento batizado em sua homenagem.

Fotografia – Criada por Hercules Florence, em 1832. O inventor nasceu na França, mas se radicou na atual Campinas (SP), esse franco-brasileiro foi quem primeiro descobriu uma forma de gravar imagens com o uso da luz. Ele bolou um método para imprimir fotos usando papel sensibilizado com nitrato de prata – princípio fotográfico usado até hoje em revelações. Nascia a photografie. Três anos depois, o processo de revelação fotoquímica ganhava notoriedade na França com as pesquisas de Louis Daguerre e Joseph Niépce. Ao saber que os franceses estavam sendo considerados os pais da fotografia, Florence abandonou as pesquisas.

Máquina de escrever – Aquela que pode ser considerada a precursora do computador foi inventada pelo padre Francisco João de Azevedo em 1861. A invenção parecia com um piano de 24 teclas que imprimiam letras num papel – para mudar de linha, era preciso pisar em um pedal na parte de baixo do aparelho. Alegando estar velho e doente, o padre entregou seu invento ao negociante George Napoleon Yost, com a promessa de que havia pessoas interessadas em fabricá-lo nos Estados Unidos. Em 1874, o americano Christofer Sholes apresentou um modelo quase igual ao do padre Azevedo. A empresa Remington se interessou e passou a fabricar as máquinas, sem nem lembrar do brasileiro.

Radiotransmissão – O padre brasileiro Roberto Landell de Moura foi o precursor na transferência de voz por ondas de rádio. Da Avenida Paulista, em 1899, emitiu um som (“Alô! Alô!”) que foi ouvido a oito quilômetros de distância em um telefone sem fio. No mesmo ano, o italiano Guglielmo Marconi, mundialmente considerado o pioneiro da radiotransmissão, só conseguiu transmitir sinais telegráficos (aquele “tec-tec-tec”) a algumas centenas de metros. O nome de Landell só foi conhecido no mundo em 1942, quando a Justiça americana decidiu que Marconi (que leva a fama até hoje) não era o inventor da radiotransmissão.

Discagem Direta a Cobrar – Essa só podia ser de brasileiro… Aquela da musiquinha. Em 1979 o brasileiro Adenor Martins de Araújo realizou diversos testes do sistema como funcionário de uma empresa de telefonia de Santa Catarina, mas a patente não está em seu nome.

Orelhão – Mais que uma que só podia ser brazuca. Aliás, de uma chinesa naturalizada brasileira. A criadora foi a conhecida arquiteta paulista Chu Ming Silveira, nascida em Shangai, naturalizada brasileira, formada em Arquitetura na Faculdade Mackenzie em São Paulo, em 1964. Ela era Chefe da Engenharia de prédios da CTB – Companhia Telefônica Brasileira em São Paulo, em 1971, quando criou o projeto do orelhão. Em 1972 foi iniciada pela CTB a implantação dos novos protetores para telefones público.

Walkman – Esse é o precursor do iPod e dos MP3. O brasileiro Andreas Pavel, em 1972, testou pela primeira vez essa invenção quando estava com uma namorada na Suíça. A dupla escutou – pelos fones de ouvido – uma fita cassete tocando Push Push, uma obra conjunta da flautista de jazz Herbie Mann e o guitarrista de blues-rock Duane Allman. Era um aparelho de som portátil que podia ser afixado ao cinto ou a uma bolsa, e vinha com fones de ouvido. Foi batizado de “pequeno equipamento de fixação corpórea para a reprodução de eventos auditivos em alta qualidade”, ou, simplesmente, Stereobelt. Pavel usava o Stereobelt com amigos, que perambulavam pelas ruas de São Paulo ou Milão “viajando” com o som portátil. Ele patenteou a sua invenção dois anos antes da Sony.