Por Marco Barone

Quem acompanha este espaço de cultura inútil percebeu que nos últimos posts estamos falando de ruas da cidade. Origem dos nomes e das datas que dão nome aos logradouros são algumas curiosidades que sempre aparecem em rodas de amigos. Para não perder o fio da meada e fechar a trilogia, vamos elencar alguns nomes de bairros da Capital. Falaremos da origem e/ou dos significados de alguns dos mais conhecidos. Como o número de bairros da cidade é muito grande, vamos dividir por região e decifrar os três maiores de cada uma. Vamos a eles:

Região Central:

Bexiga – na realidade esse bairro é a Bela Vista, mas passou a ser chamado assim por causa de um antigo proprietário daquelas terras. Nos anos 1820, um homem conhecido como Antônio Bexiga, por causa de suas cicatrizes de varíola (popularmente conhecida como “bexiga”), comprou as terras, o que é a explicação para o nome do bairro.

Liberdade – O nome vem da época em que no Brasil existiam escravos, a área era conhecida como Campo da Forca, sendo essa a única “Liberdade” aos escravos ou transgressores. A Igreja da Santa Cruz localizada no centro do bairro era mais conhecida como a Igreja dos Enforcados.

Vila Buarque – A região que forma atualmente a Vila Buarque constituía a Chácara do Senador Antônio Pinto do Rego Freitas. Em 1894, os herdeiros do mesmo a venderam para a Empresa de Obras do Brasil, cujos proprietários eram o engenheiro de obras Manuel Buarque de Macedo e o Senador Rodolfo Miranda, que arruaram a chácara.

Zona leste:

Itaquera – Itaquera, em tupi-guarani, significa “pedra dura” ou “pedra dormente”.

Mooca – O nome do bairro é de origem indígena. A versão mais aceita é de que ele teria surgido no século XVI, quando os primeiros habitantes brancos começaram a construir suas casas na região, sob o olhar curioso dos índios, que teriam exclamado “Moo-oca!”. Numa tradução livre, algo como “Eles estão fazendo casas!”, de moo, fazer e oca, casa.

Tatuapé – Termo tupi que significa “caminho do tatu” ou “caminho curto”.

Zona norte:

Santana – Santa Ana, mãe de Maria e avó de Jesus, foi nomeada como Padroeira de Metrópole de São Paulo pelo papa Urbano VIII, em 25 de maio de 1782. Em 1621, o papa Gregório XV fixou 26 de julho como a data da festa litúrgica de Sant’Ana. A santa também é padroeira do bairro.

Freguesia do Ó – Freguesia vem do latim Filli Eclesiae, e significa “filhos da igreja”. Atualmente é única região da cidade que se manteve a palavra que indicava a forma de divisão do Episcopado.

Jaçanã – Em 1870, o bairro era conhecido como Uroguapira, pois se imaginava que houvesse ouro no local. Como não passou de um boato, abreviou-se para Sítio Guapira, nome dado pelos indígenas para a região da Cantareira. Em 1º de junho de 1930, o bairro passou a se chamar Jaçanã, que é uma espécie de ave ribeirinha, também chamada de parrídea, que se caracteriza pelo tom avermelhado do peito.

Zona Sul:

Morumbi – O nome ‘Morumbi’ surgiu do tupi e, apesar de haver controvérsias, acredita-se que significa “morro ou colina alta” ou mesmo “colina verde”.

Itaim Bibi – O bairro do Itaim veio depois do loteamento da chácara Itaim, de propriedade de Leopoldo Couto de Magalhães, cujo apelido era Bibi, que deu origem ao complemento no nome do bairro, para não se confundir com o Itaim Paulista, próximo a São Miguel.

Vila Mariana – O nome foi atribuído pelo coronel da guarda nacional Carlos Eduardo de Paula Petit, a partir da fusão dos nomes de sua esposa Maria e da mãe de sua esposa, Anna.

Zona Oeste:

Lapa – A Lapa deve o nome a um morador português que, ao se mudar para lá, levou consigo uma imagem de Nossa Senhora, e construiu uma gruta, para a santa. A comunidade se desenvolveu em torno da imagem e o lugar passou a ser chamado de Nossa Senhora da Lapa, terminando por – na linguagem preguiçosa do povo – ficar conhecido apenas pelo último nome (Lapa, significa “grande pedra que forma um abrigo”).

Sumaré – O bairro-jardim é resultado do loteamento original da Sociedade Paulista de Terrenos e Construções Sumaré Ltda, moldado com extensa porcentagem de área verde e solo permeável, apresentando também traçado viário tortuoso. Seu nome se deve a uma espécie de orquídea de nome científico Cyrtopodium puntactum.

Jaguaré – O nome “Jaguaré” deve-se ao ribeirão homônimo, que nascia em Osasco e cortava a região até desembocar no rio Pinheiros. O vocábulo tem sua origem no tupi-guarani e significa “lugar onde existem onças”, em referência aos felinos (em tupi-guarani, “jaguar”, ou “jaguaretê”) que habitavam as matas dessa região.