Por Antonio Saturnino

Alguns meses atrás, foi anunciado um dos shows pelos quais eu mais esperava, o da dupla Tears for Fears. Tão logo o anúncio foi feito, decidi que eu iria, independente do preço (tá, sou fã de verdade). Para minha frustração, os ingressos se esgotaram muito depressa e não consegui comprar o meu bilhete. Fiquei com raiva de verdade, mas por ter acabado muito rápido, eles logo anunciaram um outro dia de show em São Paulo e, dessa vez, comprei tão logo soube da nova data.

Após longos meses de espera, chegou o dia do show. Mais precisamente no último dia 14, no Credicard Hall. Com poucos minutos de atraso, Roland Orzabal e Curt Smith entraram no palco. Eles abriram o show cantando o hit Everybody Wants to Rule the World, acompanhados em coro pela plateia. A poucos metros de onde eu estava ouvi um fã gritar: “Já valeu meu dinheiro”. Bom, eu ainda queria mais.

Orzabal faz os agradecimentos ao público, produção e banda arranhando o português e, justiça seja feita, mandou muito bem no nosso idioma. Smith, sem se arriscar falou em inglês que aquela noite seria uma festa de karaokê, convidando o presentes a cantarem com eles os grandes sucessos.

E assim foi, no repertório grandes clássicos como Advice for the Young at HeartHead Over Heels, Mad WorldSowing the Seeds of Love e, já no bis, Woman in Chains, na qual Michael Winright assumiu o vocal (cantando com afinação e alcance de voz invejáveis) interpretado originalmente por Oleta Adams, e Shout. Rolou até um cover de Billie Jean, do Michael Jackson. A cada música a plateia soltava a voz, muitos abusando do “embromation”, mas o que valia era a empolgação.

Ao final tive o mesmo sentimento do fã. Cada centavo pago tinha valido a pena. Mas para ele, que teve este sentimento logo no início, o que veio depois foi praticamente a devolução do troco.