Por Juliana Maffia (@jumaffia)

Desde pequenos, o mundo do circo nos encanta. Sejam os palhaços, as contorcionistas ou mesmo os animais, poucas pessoas não guardam memórias boas destes espetáculos. É com base nestas imagens que Selton Mello cria seu mais novo longa, O Palhaço.

Benjamin (Selton Mello) trabalha e administra um pequeno circo familiar, junto com seu pai, Valdemar (Paulo José). Juntos, os dois fazem shows como os palhaços Pangaré e Puro Sangue. Mas, Benjamin não consegue lidar com a pressão daqueles que o cercam. Ele está insatisfeito com sua vida no circo, insatisfação esta que não é ignorada pelos outros artistas, mesmo que eles não o entendam.

A partir daí, viajamos junto com o circo. As lindas cenas dos shows no picadeiro nos ajudam a compreender melhor a dinâmica deste grupo. Com elas descobrimos os defeitos e anseios. Como espectadores da história entendemos muito mais do que aqueles que dela participam. No fundo o que descobrimos não é muito surpreendente. Benjamin está cansado da vida de palhaço, portanto o enredo é simples, ele precisa deixar de lado sua família para tentar se encontrar. Obviamente nós descobrimos, antes de Benjamin, o quão importante sua família é.

A direção suave de Selton Mello nos ajuda, transportando a todos para um outro mundo. A fotografia do filme é linda, transformando a paisagem do interior do país ainda mais bonita. A história se encerra de forma um pouco corrida, como se o diretor de repente percebesse que seu tempo tinha se esgotado. Fique de olho nas diversas participações especiais, desde Zé Bonitinho até Moacyr Franco. O Palhaço surpreenderá a todos que o assistirem, por sua extrema beleza. É uma oportunidade para aqueles que não se interessam pelo cinema nacional!