Por Renniê Paro

Hey queridos! Como estão?

Como já devem ter percebido, essa semana troquei de lugar com a Flávia. Hoje vou falar um pouco sobre as ações não governamentais que são essenciais para tantas pessoas em no mundo. Infelizmente o nosso governo ainda não dá a devida atenção a todos os cidadãos e apenas com a ajuda de terceiros algumas pessoas conseguem encontrar força e apoio para superar os desafios que a vida impõe.

Após conversar com alguns amigos e ver quais deles ajudavam, conheciam ou pelo menos tinham ouvido falar sobre alguma ONG. Me surpreendi ao ver que muitos de nós acham esse trabalho de suma importância, desde que seja o trabalho dos outros. É mais ou menos esse o pensamento.

A amiga Tatiane Oliveira me indicou falar sobre o trabalho de uma casa bem bacana. O CRIAM – Centro de Reabilitação Amigos do Marinho, que tem como objetivo promover atendimento especializado para crianças com necessidades especiais de 0 a 6 anos de idade.  No local, cedido pelos ex-alunos do Hospital Santa Casa, são atendidas crianças com os mais diversos distúrbios neurológicos dentre ele: Paralisia Cerebral, Síndrome de Down, Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor, Mielomeningocele, AVE, entre outros.

Delci Batista, diretora da casa, a fundou com o intuito de transportar o conhecimento adquirido de uma experiência pessoal. Delci teve um filho com meningite aos três meses e meio, Marinho – daí o nome da ONG. A doença fez com que ele tivesse sequelas graves, entre elas, deficiência no desenvolvimento mental. Delci simplesmente não aceitou que seu filho tivesse uma vida vegetativa e se dedicou a desenvolver o máximo de aptidões do filho. Infelizmente, Marinho não resistiu a uma séria de convulsões, e em 5 de abril de 2003,  morreu aos 28 anos.

Fotos: CRIAM

Delci se dedicou então ao CRIAM e acendeu a chama da esperança no coração de muitas outras mães. Acho importante ressaltar aqui que não são somente as crianças que recebem atenção especial, mas também suas mães, que às vezes precisam até mais e são a base de muitas famílias.

Fica aqui o convite para que vocês visitem a casa (www.amigosdomarinho.org) e, quem sabe passem a fazer parte desta família. Se não se interessarem por ela, fica o convite para que possamos abrir mais nossos corações e ajudar os que mais precisam. Às vezes arrumamos tempo para discutir, ligar e brigar, ir para baladinhas, mas para trocar um simples abraço não temos. E, muitas vezes, é só disso que aquela pessoa está precisando. Pense nisso!

Segue uma entrevista com a fundadora da ONG. Não deixem de ler:

Matraca Cultural – Como foi a criação da ONG?
A convite de alguns medicos da Santa Casa, devido a minha experiência com um filho que nasceu saudável e por uma menigoencefalite se tornou uma criança especial e a fundaçãode uma APAE na cidade de Nova Monte Verde MT
MC – Quais foram os principais desafios enfrentados na criação e educação de seu filho?  
Foram muitos como o de todas as mães, a demora no diagnóstico, a falta de escola que o aceitassem, várias internações devido a consequências de convulsões (foi uma das sequelas da meningite). 
MC – Vocês encontraram muito preconceito? 
Sempre você encontra preconceito, mas como tenho uma família unida, que juntos abraçamos essa causa, não tive maiores problemas.
MC – Como é o trabalho desenvolvido com as crianças?
Nós trabalhamos com reabilitação, inclusão, sociabilização, sala de estimulação pedagogica e arteterapia para as mães.
Além disso, as mães, crianças e profissionais recebem alimentação, café da manhã e almoço. Também doamos as família cestas básicas e leite.
MC – E com as mães?
As mães também recebem atendimento com uma arteterapeuta, passa pela assistente social, e quando verificamos algum problema com a psicóloga.

Fotos: CRIAM

 MC – Elas recebem que tipo de orientação? 
Sim, de como lidar com os seus filhos no dia a dia, em relação ao conhecimento, e esclarecimento com profissionais das áreas
em que a criança é atendida.
MC –  O acompanhamento dessas crianças é mais assistido pelas mães ou pelos pais? Por quê?
Nesse período tenho somente mães que acompanham as crianças. Infelizmente quando ela convive com o pai, normalmente ele trabalha para o sustento da família, mas algumas crianças são criadas somente com a mãe, devido a separação do casal.
Mas tive um pai muito presente, o papel foi inverso, a mãe quase não participava, infelizmente essa criança veio a falecer em meados do ano passado.
MC – Qual o balanço do ano de 2011?
Esse ano foi atípico, mudamos de endereço ( a prefeitura de São Paulo fez a reitegração de posse do espaço que ocupavamos), mas também me encaminhou para esse novo local.
Muitas crianças desisitiram do atendimento, porque as crianças eram a mioria da zona leste e norte. Recomeçamos com muitas dificuldades, ainda temos muitos problemas, porque o espaço precisa urgente de reforma e adaptações, como acessibilidade, mais conforto, etc… mesmo assim crescemo. Em março tínhamos 4 crianças, hoje já estamos com 12.
MC – Quais as expectativas para 2012?
Aumentar o número de atendimento, conseguir patrocinadores (não temos ajuda financeira de nenhum órgão público), reformar o espaço e principalmente e o maior, é conseguir junto a prefeitura a Cessão definitiva do local.