Por Marco Barone

O ser humano moderno é, antes de tudo, um folgado. Mas no bom sentido. Digo isso pelo simples fato de que a maioria das invenções, ditas modernas, surgiu, em muitos casos, para facilitar o serviço que os antigos faziam manualmente ou, pior, que nem sabiam que um dia seria necessário.

A origem de alguns inventos – sérios – sempre me pôs em dúvida sobre como e por que foram criados. Para matar a curiosidade – e ter assunto para conversar em uma roda de amigos – vamos desvendar a origem e o criador de alguns deles.

Microondas – Durante a Guerra Fria, um norte-americano que trabalhava na fornecedora militar Raytheon, Percy Spencer, inspecionava válvulas mecânicas usadas em radares e que geram energia, chamadas magnétrons. Depois de algum tempo perto desses equipamentos, Spencer percebeu que um chocolate que carregava no bolso havia derretido. Não demorou muito para que ele criasse um aparelho que aquecesse comida por meio desse princípio, que começou a ser utilizado em 1946. A Raytheon comprou a ideia e lançou o primeiro microondas, que pesava 340 quilos e custava algo em torno de 2 mil dólares.

Panela de teflon – Essa invenção surgiu por acaso. Pouco antes de começar a Segunda Guerra Mundial, em 1938, Roy J. Plunket realizava experiências com gases para refrigeração nos Estados Unidos. Dr. Plunket e seu assistente, Jack Rebok, misturaram gases de nomes estranhos como o clorofluorcarbono (CFC) e o tetrafluoretileno (TFE) em busca de alternativas para refrigerar. O experimento não saiu como o planejado e o resultado foi uma substância em que quase nada grudava. Em 1945, a invenção recebeu o nome de teflon.

Margarina – Durante a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), o então imperador da França Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, ofereceu um prêmio para quem conseguisse encontrar um substituto bom e barato para a manteiga, na época um produto caro e escasso. Hippolyte Mège-Mouriès, um químico francês, levasse o prêmio, em 1869, ao inventar o oleomargarina, que mais tarde viria a se chamar apenas de margarina.

Absorvente – Segundo o Museu da Menstruação de New Carrollton (EUA) – é, existe –, no ano de 1914, a companhia norte-americana Kimberly Clark descobriu que a polpa da celulose da madeira poderia virar mais do que simples papel, mas um material cinco vezes mais absorvente que o algodão, e significativamente mais barato, o cellucotton. Mas o novo produto era destinado, a princípio, para cobrir feridas e fazer a bandagem de soldados. Com o tempo as enfermeiras mulheres, que usavam panos e objetos similares para sua menstruação, não demoraram muito para perceberem que o novo papel-absorvente da Kimberly poderia também ser usado com esta finalidade. A empresa redesenhou o produto, transformando-o no absorvente que as mulheres usam hoje

Leite condensado – Durante a Guerra de Secessão (1861-1865), conflito entre o norte industrializado dos Estados Unidos contra o sul escravista, os americanos buscavam uma maneira eficaz de melhorar o armazenamento do leite, reduzir seu volume e contornar a falta de refrigeração. Para tanto, eles evaporavam a água do leite e adicionavam açúcar, para conservá-lo por mais tempo. O resultado é o leite condensado como conhecemos hoje. Gail Borden descobriu depois como produzir o produto industrialmente e patenteou a invenção em 1851.

Torrada – Teria sido inventada pelo padeiro Charles Heudebert, em 1903. Engenhoso tanto quanto parcimonioso, o senhor Heudebert se recusava a deixar o pão endurecer caso não tivesse sido vendido. Ele resolveu então cortá-lo em fatias e grelhá-lo. A receita lhe pareceu boa, do ponto de vista comercial, e de fato era. Não demorou muito tempo para que nascesse a indústria da torrada. Mas a torrada familiar existia, naturalmente, há muito tempo: a palavra, aliás, já tinha 100 anos.

Asa delta – Foi concebida no final dos anos 40 por Francis Rogallo, da Nasa. A idéia era fazer um pára-quedas manobrável para a reentrada das naves espaciais tripuladas, mas o projeto acabou engavetado. Os australianos John Dickerson, Bill Moyes e Bill Benett, que usavam grandes pipas para subir aos céus rebocados por uma lancha, aprimoraram o projeto em 1969.

Cola em bastão – Durante uma reunião da Henkel, na Alemanha, em 1967, um participante perguntou: “Será que poderíamos lançar uma cola sólida?” Todos foram para casa com a dúvida. Um dos executivos esperava a mulher se vestir para irem ao teatro. Quando ela falou “só falta passar o batom”, ele teve um estalo. Era possível oferecer uma cola na forma sólida usando o mesmo sistema de um batom. O produto recebeu o nome Pritt em novembro de 1968 e foi lançada em 17 de setembro de 1969, mas chegou ao Brasil apenas dez anos depois.

Post-it – Em 1968 um cientista da 3M, Dr. Spencer Silver, desenvolveu um adesivo de pouca adesão, que não deixava marcas e era de fácil remoção. Durante cinco anos Spencer divulgou seu produto, em seminários e informalmente, mas não teve muito sucesso. Em 1974 um amigo de Spencer, Art Fry que cantava no coro da igreja, ficou frustrado porque suas fichas caiam com frequência. Foi então que surgiu a ideia de grudar as fichas com a cola que seu amigo havia inventado. Então ele desenvolveu a ideia e a 3M lançou o produto em 1977, mas inicialmente não teve muitas vendas. Um ano depois a 3M distribuiu amostras para moradores do estado americano de Idaho, e teve muito boa repercussão. Um ano após eles foram lançados no Canadá e na Europa. Em 2003 uma versão nova foi lançada, Post-it Super Stick, com uma cola mais aderente. Esta nova versão facilitava o uso de Post-it na vertical e em superfícies não tão lisas.