Por Juliana Maffia

É hipocondríaco? Tem medo de germes e bactérias? Lava a mão de meia em meia hora? Então é melhor deixar Contágio de lado, ele não lhe fará bem algum. O filme mostra, com bastante cuidado, como o descuido e o contato com pessoas no dia a dia pode espalhar uma nova doença ainda sem cura.

As cenas mostram diversos personagens ao redor do mundo, desde profissionais da saúde a vítimas. E claro, todos eles são afetados pela doença de alguma forma. Com Contágio descobrimos como a população do mundo reagiria a uma epidemia de proporções gigantescas. Juntando caos, desordem e completo esquecimento de convenções sociais e leis, sinceramente nossas chances não são boas.

Todos conhecem seu diretor, Steven Soderbergh, aquele que trouxe a trilogia dos muitos homens e muitos segredos, aquele que todo ano afirma que vai se aposentar. Ficamos em dúvida sobre qual foi sua proposta ao conceber a produção. Não é um filme muito forte, não é um bom suspense, não é um filme de catástrofe. Se quisesse mostrar o que a humanidade tem de pior, falhou. O fator “escrotice humana” é bem pior em Ensaio sobre a cegueira, por exemplo.

Se você curte blockbusters com grandes nomes, Contágio é para você. Na lista de hollywoodianos tem Gwyneth Paltrow, Matt Damon, Laurence Fishburne, Jude Law, Kate Winslet, Elliott Gould e Marion Cotillard. Alguns com papeis mais proeminentes e outros nem tanto. Cottilard, ao meu ver, foi completamente desperdiçada no filme. Matt Damon já fica boa parte do tempo em destaque, juntamente com Fishburne.

Sem um grande climax, Contágio é um pouco sem graça. O enredo é bem costurando, mostrando histórias distintas ao redor do mundo. Soderbergh pareceu não querer ousar, mesmo assim, o longa não deixa de incomodar a todos que estão na plateia. Se você curte filmes fortes, Contágio pode não ser ideal. Mas é uma boa alternativa de filme, especialmente em época de estreia de Amanhecer.