Alguém estava com saudades da nossa portuguesa noveleira? Hoje ela esta de volta e fala sobra a novela que a fez se apaixonar pelo Brasil e a trouxe para o território tupiniquim.

Por Cláudia Brandão

Tem alguém mais bonita do que eu?

Quando alguém me pergunta o porquê da minha vinda para o Brasil (e acreditem que isso acontece muitas vezes), respondo quase sempre a mesma coisa. Mas o que muitos não sabem é que existe um motivo a mais que se chama “Mulheres de Areia” (o remake, porque na primeira versão, apesar de saber várias coisas sobre o folhetim, eu não era nascida)

Para mim essa é a melhor novela de sempre, pela história, pelos personagens, pelas paisagens, pela linguagem, por tudo e principalmente pela Glória Pires, Marcos Frota, Raul Cortez, Andréa Beltrão e Viviane Pasmanter. Para quem ainda não sabe, o folhetim está de novo no ar, e sempre que posso tento me encontrar com a Raquel e a Rute, dar risadas com a Malu, chorar de amores com a Tônia e por aí vai…

É uma telenovela atemporal. Temos a verdadeira história de amor entre a menina boa (Ruth) e o menino rico (Marcos), que sofre precalços quando a irmã gêmea, a menina má (Raquel), resolve interferir. Sem dúvida que foi um dos melhores trabalhos da nossa querida Glorinha (para os mais íntimos), que consegue realmente fazer duas personagens iguais por fora, mas incrivelmente diferentes por dentro. Para nós espectadores, reconhecer as diferenças é intantâneo, assim que uma entra em cena, tenho a certeza que o público consegue enxergar quem é quem e isso é para poucos atores. Ela muda a testa para a Raquel, ela treme o queixo para a Rute, vira os olhos para a má, acalma a expressão para a boa, chora para roubar, dá risada para fazer os outros felizes… isso sim, é digno de ser visto e, para mim, que já vi mais de cinco vezes esse novela, é sempre como se fosse a primeira vez. Me apaixondo sempre com a música de abertura e cada vez que vejo as duas se enfrentarem.

                Outro destaque, e acredito que estará sempre na memória de todos, é o querido “Tonho da Lua”, interpretado brilhantemente pelo Marcos Frota. Assim como nós que estamos de fora, ele era o único que sabia distinguir as duas, e isso nos rendeu cenas muito boas. Quem não lembra do acidente de barco que as gemeas sofreram? Só o Da Lua conseguiu saber quem estava desaparecida. É impossivel não lembrar de todas as vezes que ele correu atrás da Raquel nas areias da praia de Pontal, depois que ela destruiu suas mulheres de areia. A interpretação, a entrega, o sorriso sapeca, o amor pela Ruthinha e pela irmã dele, as loucuras que para ele faziam todo o sentido, revelaram uma das melhores atuações de sempre. Inesquecível e verdadeiro, assim foi Marcos Frota.

Todas as histórias têm que ter um vilão, sem ele nada teria tanta graça, certo? E nessa novela o papel coube ao grande Raul Cortez, que com maestria nos fez odiar Virgilio, ou Sogrinho (como Raquel o chamava) ou ainda Tiarano (como a filha Malu tanto gritava). Uma das melhores dele foi ao lado do Da Lua. Incrivelmente não foi uma maldade, mas sim algo engraçado. A cena acontecia em casa do empresário, e o “maluquinho” de Pontal chega para, mais uma vez, tentar “matar” Raquel. Eles se esbarram no hall e entre risadas e gritaria, Tonho confessa o que quer fazer e Virgilio acha normal e ainda o ajuda a magicar um plano. Grandes atores fazem grandes personagens.

Um dos grandes destaques desta novela foi Viviane Pasmanter, que intrepreta a rebelde, por vezes sem causa, Malu Assunção, filha de Virgilio. A novela tem 20 anos, e ainda hoje é uma das personagens dessa atriz que as pessoas mais se lembram. Ao som de “Ovelha Negra”, Malu lutava apenas para contrariar o pai, envergonhá-lo, fazer com que ele sofresse tudo o que ela havia passado. Mas aí um novo amor chega e temos uma Malu quase domada no final da novela, outra das cenas mais marcantes desse folhetim.

Poderia ficar aqui horas falando sobre cada capítulo, cada cena, cada fala, cada momento, mas acho que já posso seguir para a cena que, para mim, é uma das melhores da história da teledamartugia brasileira (quem sabe, num próximo post não falo das melhores cenas de novela, me aguardem!).

Para quem me lê e não se lembra da história, a determinando momento (que por acaso aconteceu esta semana, na reposição) as irmãs têm um acidente e quem sobrevive é Ruth, que se faz passar por Raquel para tentar conquistar seu grande amor. Com o passar do tempo, o público, descobre que a irmã má está viva e veio tentar de tudo para se vingar da pessoa que está no seu lugar. Várias maldades acontecem, mas eis que o Wanderlei (Paulo Betti) é assassinado e a primeira indiciada pelo crime é Raquel (mas é Ruth que está no lugar dela).

Confusões à parte, os meus aplausos vão para o julgamento. A sala está cheia, todos acham que ela é culpada, menos Marcos que, naquele momento, já sabe a verdadeira identidade do seu grande amor. Chega a hora da sentença, mas antes o promotor resolve fazer um discurso onde expõe todas as maldades realizadas por Raquel (lembrem-se, é Ruth que está no banco do reus), e a lista continua e vemos uma mulher chorando, criando força para aguentar o que ouve e de repente, ela chega no seu limite e grita: “Eu não sou a Raquel, eu sou a Ruth”! O público fica em silêncio e o meu coração deixa de bater. Até hoje me lembro da primeira vez que vi a cena e ainda consigo me arrepiar. É em momentos como este que eu gostava de ser uma mosquinha para poder estar nos bastidores vendo a preparação para uma cena assim, tão forte e tão importante para o resto da novela.

Mulheres de Areia ainda hoje é considerada um marco na teledamartugia brasileira e, afinal, “espelho meu, espelho meu quem é a melhor atriz, Ruth ou Raquel?” As duas na forma de uma, Glória Pires. Vou ver e rever as vezes que me deixarem!

“Quem conhece os segredos da imaginação, não se perde nem perde a razão”...

Um beijo cheio de sonhos.

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