A nossa querida amiga Cláudia passou por aqui novamente. Confiram o novo texto do Matraca Aberta.

Por Cláudia Brandão

Há algumas semanas o Brasil está triste, faleceu o ator e diretor Sérgio Brito.

Da minha parte confesso que não foi um ator que me marcou muito, mas a morte dele me fez pensar em alguns atores maravilhosos que a dramaturgira brasileira já perdeu. Quantos foram, eu não sei. Mas há sorrisos, rostos, atuações que fazem falta na minha TV.

Raul Cortez. É o primeiro nome que me vem à cabeça quando penso em um ator que faz falta. Ele foi vilão, pai, avô, romântico e marido durante décadas e marcou, sem dúvida, os telespectadores. De todos os seus personagens vou destacar três. Virgilio Assunção, o vilão de Mulheres de Areia, Genaro em Esperança, na qual ele brilhantemente representou um italiano e o seu último papel da televisão, o Barão de Bonsucesso na telenovela Senhora do Destino. Nesse folhetim a sua atuação ficou a meio, pois foi nesse ano que o ator sucumbiu ao câncer.

Fernando Torres. Talvez alguns não saibam quem é, mas se eu disser que era marido da Fernanda Montenegro, tenho a certeza de que muitos juntarão o nome à pessoa. Não acompanhei muito o trabalho dele, mas sei da extrema importância que teve na cultura brasilera. Último trabalho dele? Aléssio, marido de Lilia Cabral em Laços de família.

Em Portugal perdemos o querido Armand Cortez há muitos anos, e um dos seus personagens que mais me marcou foi na telenovela Na Paz dos Anjos.

Apesar de serem histórias com um final assim, triste, é um momento esperado. Há exemplos de atores que perderam a vida ainda muito jovens, com caminho promissor e a sensação de um sucesso nunca almejado.

Quem não se lembra de Daniela Perez? Mais do que atriz era ela bailarina. Mais do que um corpo que encantava ao som de todos os ritmos, ela era filha, mulher e irmã. A história todos sabem e o final trágico veio em um momento da carreira dela que despontava para o estrelato. Assassinada, realidade e ficção se misturam na cabeça de uma pessoa que hoje em dia é dada como “normal”…

Em terra lusas as adolescentes de plantão perderam na estrada dois jovens atores. Francisco Adam, o Dino de Morangos com Açucar e Angélico Vieira, cantor, ator e apresentador. Se eles eram ou não bons atores, não está em discussão, mas tenho a certeza de que de a TV portruguesa perdeu muitas telespectadoras depois desses desapareciementos sem aviso prévio.

         O ideal seria poder fazer como nas novelas, quando um personagem morre e é amado pelo público, o autor dá sempre um jeitinho, o jeitinho brasileiro, de ensaiar uma volta, um retorno, seja em sonhos ou em fantasias…

Sobre a morte de sérgio Brito, ouvi: “perdemos o homem, mas vamos continuar com o artista, porque o artista é eterno”… e é por isso que digo (e Shaskepeare também): a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.