Por Antonio Saturnino

Foto: Aveda

Os tempos mudaram, o cenário histórico e político é outro, o posto de “musa inspiradora” já foi ocupado por diversas mulheres, mas uma coisa é muito perceptível no novo disco do Chico Buarque, é o Chico!

Em julho de 2011, quando ele lançou o álbum Chico, fiquei ansioso à espera da divulgação das datas de shows e, após confirmadas, não consegui comprar minhas entradas para nenhuma das apresentações que acontecerão em São paulo, tamanha rapidez com a qual foram vendidas.

Pois bem, se Maomé não vem até a montanha, a montanha vai até Maomé. Sem hesitar, comprei ingressos para o show que ele faria no Rio de Janeiro e no último domingo (8), estava eu no Vivo Rio para prestigiar o espetáculo e começar, da melhor forma possível, meu calendário 2012 de shows.

Foto: Aveda

Com a casa lotada de “chicólatras”, alguns de mais idade, outros mais jovens que têm o cantor como um verdadeiro ídolo, Chico conduziu um show impecável. Ele foi capaz de prender o público sem qualquer interação, nem mesmo um simples “boa noite”.

Sempre ouvi críticas sobre o fato dele não ter uma voz com grande potência ou alcances de agudos e graves magníficos. Para mim a grande jogada de mestre, está no profundo conhecimento que ele possui da própria voz. Chico compõe músicas que se encaixam perfeitamente com seu timbre. Ainda me arrisco a dizer que muitas de suas obras perderiam a essência e beleza se cantadas sem essa simplicidade que ele utiliza em suas interpretações.

Algo ainda mais belo, e pouco utilizado hoje em dia, é a riqueza na combinação de vozes. Horas uma música era interpretada em solo… de repente já havia uma segunda voz… depois já eram três vozes e, em alguns momentos, até quatro. Ou seja, o sucesso do show também se deve à bela equipe de músicos que o acompanharam no palco.

Poderia ficar muitas linhas discorrendo sobre como foi o show, sobre o Chico, sobre o CD… Mas vale finalizar dizendo que ele, sem dúvidas, é um dos maiores, se não o maior, compositor brasileiro vivo e, embora sua capacidade vocal seja criticada, defendo que ninguém interpreta Chico Buarque melhor do que ele próprio.