Por Renniê Paro

Se tornou uma constante os casos de violência gratuita que vemos nos noticiários brasileiros. Jovens que agridem uns aos outros por se julgarem superiores levando em consideração raça, cor da pele, opção sexual ou qualquer outro critério sem fundamento.

Andar na rua próximo demais de um amigo pode significar uma sentença de morte. Um morador de rua pode deitar e simplesmente não acordar porque alguns jovens queriam se divertir e para isso atearam fogo ao seu corpo.

Casos bizarros como esses acontecem todos os dias e, se observarmos, com grande frequência pela juventude da alta sociedade. Pais que não sabem como se impor e jovens que não sabem o limite são os elementos que compõem esse assustador cenário.

É sobre isso que trata a peça Festim Diabólico, escrito em 1929 por Patrick Hamilton e adaptado para o cinema em 1948 por ninguém menos que Alfred Hitchcock. O drama, baseado em histórias reais, apresenta dois jovens que pretendem praticar o “crime perfeito”. A ideia surge em meio a discussões acadêmicas travadas durante as aulas de Filosofia na faculdade e se concretiza em uma festa em que os personagens, na medida em que se desconstroem, demonstram suas inseguranças, preconceitos, perversões, arrogâncias, materialismos, invejas, rancores.

Com um elenco de peso, como Alexandre Barros, André Fusko, André Hendges, Carlos Capeletti, Luli Miller, Ricardo Homuth e Patrícia Vilella, o espetáculo demonstra, de forma crua e assustadora a falta de limites e senso ético e humanitário dos jovens da alta sociedade. Isso me faz refletir também sobre a maneira como os pais têm educado seus filhos. Na era do egocentrismo as crianças crescem achando que são o centro do universo e que nada pode lhes ser negado.

A relação de homossexualismo entre dois personagens também é abordada de forma explícita. A atmosfera sinistra é complementada com uma cenografia forte, com um grande painel pintado de um vermelho sangue que faz com que a lembrança da morte esteja sempre presente, além da música e iluminação, que ampliam os sustos e a sensação de tensão.

Em cartaz no Teatro Nair Bello, no Shopping Frei Caneca, até o dia 18 de março, “Festim Diabólico” não é uma peça para aqueles que procuram apenas diversão, mas sim para quem é forte o suficiente para encarar a realidade e refletir sobre ela.