Por Renniê Paro

Quando vemos as notícias na TV sobre a situação de países em conflito, como o Iraque, não temos a menor ideia de como de fato é a realidade cotidiana da população local. No espetáculo “Palácio do Fim”, de Judith Thompson e direção de José Wilker, é abordado o drama da guerra iraquiana e, por meio de contos, são transmitidas três visões diferentes sobre os acontecimentos trágicos, como omissão, tortura, entre outros.

“Palácio do Fim”, nome que faz referência à antiga sede da câmera de tortura de Saddam Hussein, começa com a famosa atriz Camila Morgado, que interpreta Lynndie England, uma oficial do exército americano que é acusada de abuso de prisioneiros em Abu Ghraib. Denominado “Minhas Pirâmides”, o conto reflete sobre as torturas que a oficial arquitetou para os presos, que após serem mortos eram amontoados nus em pirâmides.

A segunda história – “Colinas de Horrwdown”, traz Antônio Petrin no papel do Dr. David Kelly, um inspetor especializado em armas que relatou à BBC que não havia armas de destruição em massa no Iraque. O cientista foi atacado e humilhado pelo governo britânico e ao se preparar para a morte, escolhe um bosque próximo a sua casa na Inglaterra. Em seus momentos finais, o doutor realiza um discurso e revela as causas pelas quais apresentou falsas premissas sobre a guerra.

A última história traz Vera Holtz interpretando a ativista iraquiana Nehrjas Al Saffarh em “Instrumentos de Angústia”. Saffarh é membro do Partido Comunista e narra como sobreviveu a polícia secreta de Saddam Hussein e aos horrores aos quais foi submetida no Palácio do Fim.

Baseada em histórias verídicas, a peça aborda com clareza alguns horrores internos de personagens que fizeram parte do roteiro da vida real. Mesmo com posições e visões distintas, os depoimentos se assemelham no sentido de demonstrar como o ser humano pode se tornar totalmente irracional diante de uma guerra.

“Palácio do Fim”, estreia dia 20 no SESC Consolação, com preços bem acessíveis =D