Por Antonio Saturnino

Bom, hoje eu estou aqui para ser do contra. Não sei quem se recorda, mas no ano passado a Fê, a senhora literatura do Matraca, publicou um texto falando sobre livros que ela não havia conseguido terminar de ler (veja aqui). Um dos livros que ela listou foi justamente A Sangue Frio, de Truman Capote. Ela citou vários motivos para justificar o abandono da leitura e dizer que não havia gostado. Eu, porém, tenho que confessar que adorei o livro.

Comecei a lê-lo como “lição de casa”, afinal, é praticamente literatura obrigatória do curso de jornalismo. Terminei em menos de uma semana. Não se pode dizer que é uma leitura gostosa, pois a obra fala sobre o assassinato de uma família inteira, composta pelos pais Herb Clutter e Bonnie Clutter, e os filhos Kenyon e Nancy. O pior, a história é verídica! A descrição do caso é cuidadosamente detalhista, o que torna ainda mais densa a obra. Ele relata os detalhes do assassinato de cada membro da família e, inclusive, sobre o caso do estupro que precedeu a morte da pequena Nancy.

Capote tinha um espírito inovador e, para produzir um material com a maior quantidade de detalhes possíveis, passou a morar no Kansas, palco do homicídio, para colher depoimento de todas as pessoas com quem as vítimas e vitimizadores haviam tido contato. Ele teve uma convivência ainda mais “íntima” com os assassinos Perry e Dick, que acabaram sendo condenados à morte por enforcamento. O fato é que esse contato extremamente próximo, criou uma relação muito forte, alguns dizem que até amorosa (Capote era homossexual assumido) com Perry e, após a execução dos assassinos, o autor ficou tão abalado emocionalmente, que não produziu mais nada de grande relevância.

Para quem não sabe, Capote também é autor do best seller Breakfast at Tiffany’s, que em português ganhou o título Bonequinha de luxo, e rendeu uma produção de cinema homônima e tornou-se um dos grandes clássicos da bela Audrey Hepburn.

O fato é que existem possíveis viagens e invenções do autor. Ele utiliza muitas falas dos integrantes da família e até pensamentos, coisas que ele jamais poderia saber, pois todos já estavam mortos quando ele começou a redigir o livro. De qualquer forma, o livro é muito bom. Não é gostoso, é chocante e muitas vezes te deixa meio down. Mas para quem curte um bom romance (sem a conotação amorosa da palavra) policial, é uma excelente pedida.