Galera, esse espaço é para vocês!!! Mandem seus textos e ele pode estar aqui no Matraca Aberta. Confiram mais um texta da noveleira de Portugal.

Por Cláudia Brandão

“Quando ela me vê, ela mexe… piri piri piri piriguete”, assim começa um dos milhares de funks existentes no Brasil. Para quem não conhece a expressão, piriguete é aquela donzela que não escolhe muito com quem fica, é aquela que não se importa com qualidade mas sim com números, interessa o tamanho mas não a inteligência… E por aí vai. Nada contra, aliás, muito pelo contrário, hoje em dia a mulher já sabe muito bem o que quer e como quer… Mas isso são outras histórias e não é bem esse o tema!

Algo que tem vindo a acontecer nas novelas brasileiras é a transformação das ditas piriguetes em heroínas. Acredito que seja uma boa aposta, porque o público começa a aceitar, cada vez mais, uma mulher que não tem vergonha ou papas na língua e que sabe mostrar suas virtudes e defeitos. Roupa curta? Muito beijo na boca? Enloquecer o homens? Cofres vibrantes? São elas!

Camila Pitanga em Paraíso Tropical roubou a cena quando aceitou fazer o papel de Bebel. Sim, ela era mais do que uma piriguete, mas quando se apaixonou pelo vilão da história ela se acalmou um pouco e protagonizou momentos e bordões como “cuecão maneiro” e “com cat´i´goria”! De algo reprovável, ela passou a trabalhar apenas como mulher do Olavo (Wagner Moura) e recebeu a total aceitação do público, tanto é que em vez de acabar presa, ou morta, ou louca, acabou a sua participação RICA! Ela conquistou o público pela falta de pudor, por ir atrás do que queria, e porque a história dela transformava-a numa guerreira. E com toda essa força o público acaba esquecendo o que ela ia fazendo. Mágico!

No momento, a piriguete mais odiada pelas mulheres, desejada pelos homens e amada por mim, é Carolina Dieckman (Teodora) em Fina Estampa. A personagem já entrou em campo sendo odiada pelo Brasil e pelos outros personagens do folhetim, mas agora tem vindo a conquistar um por um, até o Quinzé (Malvino Salvador) que jurou nunca mais olhar na cara dela. Pois, tem olhado a cara, e não só.

As cores exageradamente brilhantes, as roupas curtas (inclusive a própria atriz tem vindo a reclamar do tamanho, mas são ossos do oficio), o tom de voz alto, as reclamações, a choradeira, o sex appeal, têm feito com que esta personagem se aproxime mais do público do que a própria mocinha (que nesta novela é já uma moça com seus 50 e poucos…). A luta que ela tem vindo a protagonizar para ter de volta o filho que largou (daí o ódio de estimação que o público e os personagens tinham) tem sido uma mais valia nesta novela das 9, que teima em estar parada e perdida.

Para mim é um conceito a ser aplaudido, porque já há muito tempo que as mocinhas da vida real deixaram de ser aquelas donzelas que sofriam e não rebatiam, que apanhavam e não devolviam, que choravam e não sorriam depois, que queriam o homem mas não iam atrás…

Algo que estas personagens têm em comum é o fato de serem imensamente verdadeiras. Gritam, choram, batem, abraçam e amam sem meias medidas… Assim devemos ser todos nós, não? Aqui se diz muito que piriguete não sente frio… isso me deixa um pouco confusa, porque eu também não sou de sentir frio, sou bem calorenta… vixe, sou piriguete?!

Fui mexer por aí…