Por Marco Barone

Este assunto, vira e mexe, é retomado neste espaço. Faço isso porque sei das curiosidades das pessoas. A gente até come, mas sempre fica a dúvida de onde veio isso, como chegaram a descobrir que a gente podia comer isso. Uma coisa posso garantir: ou veio de observações ou sem querer.

O homem observava o que os animais faziam e copiava. De outra forma, descobria o que poderia servir de alimento e testava ou arriscava se valia a pena comer.

Vamos ao que interessa: cultura inútil (eu sempre afirmo, para mim, não é inútil, é cultura) sobre comidas. Desta vez, vamos falar do prato que o brasileri ais come: arroz e feijão.

– tipicamente brasileiro, o feijão com arroz representa deve sua origem às raças que formam o nosso País. Os negros já apreciavam o feijão indígena e passaram a plantá-lo e a comê-lo com farinha, base da alimentação brasileira até o século XVIII. Posteriormente foi complementado com arroz branco por influência portuguesa, principalmente com Dom João VI

– a mistura também tem as suas vantagens nutricionais: a proteína do feijão é rica em lisina, pouco presente no arroz, por sua vez, o feijão é deficiente em aminoácidos sulfurados, como a metionina e a cistina, os quais têm excelente fonte no arroz. Além disso, a mistura feijão com arroz é rica em carboidratos, o componente energético de nossa alimentação

– O arroz é o terceiro alimento mais cultivado do mundo, atrás apenas do trigo e do milho. Os cinco maiores produtores mundiais de arroz são, na ordem, China, Índia, Indonésia, Bangladesh e Vietnã

– Os maiores produtores mundiais de feijão são, pela ordem, Brasil, Índia, China, Myanmar e México

– O arroz é originário do Japão, onde é cultivado há milênios. Acredita-se que seu cultivo tenha mais de 7 mil anos. Existem mais de 140 mil variedades de arroz. O preferido dos brasileiros é o arroz do tipo agulhinha, que é muito solto. Os japoneses, por sua vez, preferem o gohan, um arroz mais pastoso e grudento

– Alguns pesquisadores dão como certo que o feijão tenha surgido no continente americano, onde é cultivado há mais de 7 mil anos. Outros, porém, garantem que apareceu no sudeste asiático e, de lá, se espalhado para o resto do mundo

– O arroz europeu foi introduzido no país no século XVI, nos primórdios do Brasil Colônia, vindo provavelmente de Cabo Verde

– O feijão mais popular do Brasil (e que mais acompanha o arroz nas refeições) é o carioquinha. O curioso é que ele está longe de ser o mais popular do Rio de Janeiro. Os cariocas gostam mesmo é de feijão preto. O feijão carioquinha recebeu esse nome por causa das listras, que lembram o calçadão de Ipanema

– Ainda hoje, em alguns lugares remotos da China, as pessoas mantém o hábito de oferecer tigelas de arroz cozido aos recém-falecidos para que eles possam se alimentar em sua viagem para o além.

– O tipo de feijão mais popular do Pará é o fradão (além do manteiguinha, é bom lembrar). No Ceará, o mais popular é o feijão-de-corda. Em Minas Gerais, é o Jalo. No Rio Grande do Sul, é o preto. Na Bahia, o fradinho. No Centro Oeste, o rosinha. Em Santa Catarina, o branco

– Muitos camponeses do Vietnã fazem questão de ser sepultados em seus arrozais. Ao contrário do que ocorre no Brasil, os enterros vietnamitas são festas com cantos, danças e distribuição de arroz

– O feijão fradinho é o principal ingrediente do baianíssimo acarajé. Os catarinenses (ou boa parte deles) costumam comer feijão branco com eisbein (joelho de porco cozido). Os nordestinos gostam de usar mulatinho com abóbora e/ou mandioca na receita da feijoada nordestina

– Ao contrário dos vietnamitas, os hani do sul do Japão preferem manter o silêncio nos arrozais. Eles acreditam que os espíritos se assustam facilmente com o barulho e fogem dos campos, tornando a terra infértil

– O gosto dos paraenses pelos feijões do tipo fradão é manteiguinha foi introduzido por funcionários da empresa norte-americana Ford que foram para o estado na época do ciclo da borracha.

– O hábito de jogar arroz nos noivos foi importado da China. Conta-se que um poderoso mandarim fez com que o casamento de sua filha se realizasse sob uma chuva de arroz, considerado simbolo de fartura pelos chineses. A tradição se arraigou e, com o tempo, acabou se espalhando pelo mundo

– A feijoada não foi criada pelos negros das senzalas, mas pelos portugueses. E o que é mais interessante: no início, ela não era feita com feijão preto (e continua não sendo em muitas regiões do país)

– Na Tailândia, a palavra refeição significa “comer arroz”. Aliás, o costume de comer arroz é tão arraigado entre os povos orientais que quando um vietnamita encontra um amigo com o filho pequeno e deseja saber como vai a criança, pergunta: “Quantas tigelas de arroz ele comeu hoje?”.

– Considerada por muitos uma especialidade mineira, a receita de feijão tropeiro foi criada pelos paulistas. Popular no Nordeste, o baião-de-dois tem como principal ingrediente o feijão do tipo fradinho

– Os árabes acreditam que o arroz surgiu de uma gota de suor do profeta Maomé

– Feijão-verde, feijão-de-corda e fradinho são praticamente o mesmo tipo de feijão. O nome varia de acordo com o “estágio” do feijão durante a colheita. O feijão-verde, por exemplo, é obtido quando ele ainda não atingiu o seu completo desenvolvimento. O fradinho é o feijão já totalmente desenvolvido

– Tal como outros povos do oriente, os japoneses comem arroz no café da manhã, no almoço e no jantar. Eles preparam até doces de arroz, o moti. O saquê, uma das bebidas preferidas dos japoneses, também é à base de arroz.

– Os japoneses fazem doces de uma variedade de feijão chamada azuki. Também no Japão, existe um refrigerante produzido a partír do feijão azuki?

– O chili, um dos mais conhecidos pratos da culinária mexicana é preparado a partír de feijão, carne moída e pimento – muita pimenta, por sinal

– O arroz integral contém maior quantidade de sais minerais, vitaminas e fibras (excelentes para o funcionamento do intestino)