Este espaço é para você, leitor do Matraca. Hoje tem texto da Cláudia, mas semana que vem sua matéria pode estar aqui.

Por Cláudia Brandão

Uma das frases que mais se diz nesta época tão festiva é “o que acontece no Carnaval, fica no carnaval” ou “amor de carnaval dura quatro dias”… é verdade, até pode ser assim, mas foi pensando nisso, ou exatamente no oposto, que estou aqui hoje.

Carnaval é momento de folia, festa e loucuras, mas também é nestes momentos que o ser humano está no auge da felicidade, livre para ser feliz, para rir e disponível para se deixar levar… é nesses momentos que os grandes amores vêm, às vezes sem avisar, às vezes por engano… às vezes porque sim.

Venho falar disso, de grandes amores, de histórias inesquecíveis, de momentos que marcam.

Toda a bela história de amor começa num olhar, passa por uma tempestade e termina em casamento. Eba! Eu sei que a vida real não é bem assim (apesar de já ter ouvido que a vida é uma novela), mas quando a ficção entra em cena, tudo pode acontecer, e a maior certeza que temos é de que os casais que mais sofrem sempre acabam juntos!

Para mim, o prêmio de casal mais forte, intenso e apaixonado vai para Giovanna Antonelli e Luigi Baricelli em Laços de Familia. Capitu e Fred, eram os nomes dos personagens. Ela era garota de programa, e assim como o nome que lhe deu vida (do livro Dom Casmurro de Machado de Assis) ela era intensa nos amores e misteriosa com as suas verdades. Fred, filho da protagonista Helena (Vera Fisher) entrou para mostrar a realidade daqueles que procuram o primeiro emprego, mas acabou por se tornar protagonista de uma bela história de amor.

Já disse aqui, e volto a dizer, gosto de drama, choradeira, sequestro por amor, mortes, ameaças, loucuras e beijos na boca. Os dois tiveram isso e muito mais. Os personagens tinham sido namorados na adolescência, a vida os separou e os juntou para mostrar que sim, o amor pode tudo.

Melhores cenas? Destaco três.

Ao longo da história, já separado da mulher, Fred volta a se interessar por Capitu. Um tempinho depois, e porque assim tem de ser, ele descobre a verdadeira profissão dela, e aí começa o drama. Mesmo sabendo de tudo ele continua com ela, até sofre um ataque e fica gravemente ferido. Capitu se desespera e, por amor, termina tudo. Aí está a tempestade!

As confusões continuam, eles se esbarram várias vezes e até o público se sente arrepiado com a intensidade dos olhares trocados. Eles brigam, eles se querem, eles não ficam juntos. Num desses encontros, que eu sempre torcia para acontecer, Fred se revolta e sequestra o grande amor da vida dele para tentar resonquistá-la. É nesses momentos que se percebe o talento de um ator. Giovanna não era a primeira escolha para este papel (a preferência era de Viviane Pasmenter), mas a Globo acertou em apostar numa atriz ainda pouco conhecida do público.

Depois da tempestade vem o quê? Sim, a bonança, ou neste caso, o casamento. Não ha nada melhor numa novela do que uma reconcialiação! Neste caso, a cena era mais esperada e me lembro como se fosse hoje.

Fred abre a porta da sua casa e lá está Capitu (ah, eles eram vizinhos… gente, é novela e na ficção seu grande amor mora ao seu lado!). Ao som de Spanish Guitar, eles se olham e se abraçam como se o mundo fosse acabar naquele dia. Mas não acabou, o que acabou foi a novela e eles viveram felizes para sempre, e eu também porque pessoas apaixonadas assim têm que acabar juntas.

Quem vos escreve já teve a sorte de encontrar um amor pelos trios elétricos de Salvador. Este ano estou no Rio, será que algum outro amor me espera nos blocos?