Música


Por Antonio Saturnino

É incrível como existe preconceito de ditos “moderninhos” ou pseudo-roqueiros em relação ao samba. Este é uma das maiores manifestações de nossa cultura, da grande mistura que é o povo brasileiro. Como falar de música brasileira, sem lembrar do talento de Noel Rosa? Ou do humor e criatividade de Adoniran Barbosa? Da nossa querida Marrom? Ou até mesmo do ritmo, como forma de protesto, nas letras de Chico Buarque? Da nossa bela Bossa Nova, que pode ser considerada uma vertente samba? Dos nossos belos choros? Não dá! Mesmo com todos os preconceitos, o samba resiste.

Para quem nunca teve a oportunidade de estar em uma roda de samba, aqui vai uma dica: o “Samba da Vela”. O encontro acontece às segundas-feiras, à partir das 20h, no Casa de Cultura de Santo Amaro. A entrada custa apenas R$ 2,00 e a doação é voluntária. Há de convir que não vai matar ninguém essa contribuição.

Fundado pelos sambistas Paquera, Magnu Sousá, Chapinha e Maurílio de Oliveira, o objetivo é enaltecer os grandes nomes da velha guarda e revelar novos autores. O show começa quando a vela é acesa e só termina quando ela apaga. Enquanto a chama está acesa, é impossível ficar parado.

Serviço:

Comunidade Samba da Vela
Endereço: Praça Francisco Ferreira Lopes, 434 – Santo Amaro – Casa de Cultura de Santo Amaro
Telefone: (11) 5522-8897
Site: http://comunidadesambadavela.com
Horário: segundas- feiras, a partir das 20h
Preço: R$ 2,00 (contribuição voluntária)

Por Fernanda Beziaco e Renniê Paro

Olá leitores, olha a gente aqui em plena terça-feira, pegando o lugar do Saturnino 😉

Hoje vamos falar daquela banda que estorou com um vídeo no YouTube, Oração, lembram? “Meu amor, essa é a última oração, pra salvar seu coração. Coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na dispensa, cabe o meu amor, cabem três vidas inteiras, cabe uma penteadeira, cabe nós dois, cabe até o meu amor…” (e começa tudo de novo, and again, and again, and again).

Nós duas fomos assistir ao show que A Banda Mais Bonita da Cidade realizou no último dia 22, gratuitamente, no Teatro Cacilda Becker, em São Paulo.

Se você, como eu (Fernanda) esperava um show num formato com a mesma vibe do viral citado acima, se decepcionou. Porém, quem já conhecia o trabalho da banda mais a fundo, pôde curtir a proposta.

A Banda Mais Bonita da Cidade se denomina como melodramática e, talvez, essa seja realmente a melhor palavra para resumir também a performance no palco. Ainda um pouco inseguros no seu espaço, o grupo formado por Uyara Torrente, Rodrigo Lemos, Vinícis Nisi, Diego Plaça e Luis Boursheidt, tem um grande potencial, mas talvez seja preciso mais algumas experiências diante do público para que se sintam mais a vontade.

O show, que tinha o objetivo de apresentar os trabalhos do primeiro cd da banda, teve em seu repertório A Balada da Bailarina Torta, Aos Garotos de Aluguel, Ótima, Se Eu Corro e, sem sombra dúvida, Oração, que encerrou a noite.

Entre uma música e outra os componentes da banda faziam um pouco de stand up, para dar uma descontraída.

Em relação a composição musical, A Banda Mais Bonita da Cidade utiliza elementos diversos que dão a eles sua identidade, mas, por outro lado, são elementos que nos fazem lembrar de bandas e cantores já conhecidos. Daí o nosso título de hoje (Um pouquinho de grandes artistas). Eu (Renniê), acredito que isso seja um bom sinal, afinal nada mais inteligente do que se espelhar no que há de melhor no cenário indie rock e folk do nosso país.

Definitivamente eles têm músicas boas, com letras interessantes e até tocantes. A sugestão para vocês é que ouçam também Meu Príncipe, composição da cantora Lulina, mas que ficou bem bacana com o pessoal da A Banda Mais Bonita da Cidade.

Um show intimista e com ares de “pode chegar e sinta-se a vontade”. Acho que podemos resumir assim o espetáculo. Para quem gosta de um ritmo suave e letras que remetam a relacionamentos (nem sempre bem sucedidos) é uma ótima opção.

Para quem não sabe, o Matraca está em vias de completar um ano… parece que foi ontem que este blog nasceu e ele já tá assim, tão grande. Logo teremos novidades para vocês. Aguardem!

Ótima terça e muita música!

Por Antonio Saturnino

Brasileiro entende tanto de carnaval e, nesses dias, tem recebido tanta informação sobre a festa, de todas as mídias possíveis, que senti não ser necessário abordar o tema aqui em nosso espaço de música.

Aqui no Matraca, tentamos sempre trazer algo diferente. Aquele artista que é muito talentoso, mas ainda não teve grande exposição na mídia e que corre na contramão por caminhos alternativos. Percorrendo um desses caminhos alternativos, o Youtube, encontrei um vídeo de um trio de jovens, com traços orientais, cantando uma versão chinesa de I want it that way, dos Backstreet Boys. Fantástica!

Jane Lui, uma das cantoras do trio, me chamou mais a atenção. Comecei buscar outros trabalhos dela e encontrei um vasto repertório com belas regravações e mash ups de grandes sucessos. Porém ela me conquistou de vez quando a vi e ouvi cantar Samba e Amor, do Chico Buarque. Outros destaques de seu trabalho são as combinações de Moves like Jagger & The Muppets – Rainbow connection; Fireworks com All I want for Christmas is you & Charlie Brown Christmas; e Crazy for you & Rain, da Madonna.

Extremamente criativa, em seus vídeos, ela própria é quem canta todas as vozes e que toca todos os instrumentos. Aliás, Jane tira som de todos objetos possíveis… do feixe de uma mala, do galão de água, do bater de um sapato, do virar das páginas de um livro e por aí vai. Além disso, toca piano, teclado, vioão, acordeon, entre outros.

Em sua página do Facebook, a musicista expressou sua intenção de se apresentar no Brasil este ano. Vale muito a torcida! Para quem está em dúvida se valeria a pena assistir ao show da cantora por aqui, confiram abaixo alguns vídeos dela que, com certeza, o farão entrar na militância por “Jane no Brasil”.

Por Antonio Saturnino

Quem pensa que MPB é um estilo de música unicamente lento, para ouvir antes de dormir, ou em momentos de reflexão, está muito enganado, ou ainda não conhece o trabalho do Wilson Simoninha. Nos últimos dias 10 e 11, o cantor se apresentou no palco do Tom Jazz, pelo projeto Sons da Nova, promovido pela rádio Nova Brasil FM, ambos com a casa lotada e com ritmo bastante dançante.

Uma característica marcante do cantor, é o clima descontraído que ele imprime ao show. É daqueles artistas que você percebe que realmente ama o que está fazendo e cumpre perfeitamente o papel de entreter o público. Nessa apresentação, o artista cantou grandes sucessos de sua carreira, como Bebete Vãobora e É bom andar a pé. Embora uma das características mais marcantes do músico sejam suas levadas com muito swing, Simoninha mesclou o repertório com músicas bem dançantes e outras mais emotivas, o que agradou o público de gregos e troianos.

Os internautas também deram suas contribuições para o espetáculo. Simoninha abriu uma enquete para os “twitteiros” escolherem duas canções para entrar no repertório, e, como dizem, a voz do povo é a voz de Deus. Os seguidores do cantor no twitter escolheram as belas canções Agosto e Essência, que deram um toque especial à noite. O nome lhe soa familiar? Pois é, Simoninha é o diminutivo de Simonal, logo, Wilson Simoninha é filho do Wilson Simonal. É música no sangue!!

Para mais fotos, acessem nosso álbum no Facebook.
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.324145060955762.68475.229080440462225&type=1

Por Fernanda Beziaco

Olá leitores, opaaaaa perai, não é o Saturnino hoje?!
Hoje sou eu, pois é, pois é, pois é… Trocamos, porque eu fui ver o Pedro Mariano no Citibank Hall no sábado (4) e vim contar para vocês sobre o novo trabalho do cantor, intitulado “8”.

Primeiro deixe-me dizer que o show teve um atraso de quase uma hora, mas, apesar disso, quando o Pedro subiu ao palco os espectadores foram a loucura. Gritos de lindo, gostoso, uhulll’s e palmas se estenderam na entrada do cantor.Foi uma reação que eu não esperava, inclusive, não imaginava que a casa estaria tão cheia. E estava, digo pra vocês, estava mesmo!

A performance do Pedro Mariano é interessante. Ele curte o som. Faz suas dancinhas. E canta especialmente bem. Extremamente afinado e muito carismático.Durante o show fez algumas declarações, contou sua felicidade com este trabalho e se disse emocionado ao cantar novamente no palco do Citibank Hall, onde também foi o palco que subiu pela primeira vez como cantor profissional.

Simples foi a primeira música interpretada e Simplesmente a segunda. Uma fã, que estava na mesma mesa que eu assistindo ao show comentou que esta (Simplesmente) é a música de sua vida.

Cantou também Perdoa e Pra você dar o nome. Músicas que estão em evidência.

Entre tantas canções, Pedro também cantou Sei de mim, que teria a participação da cantora Luiza Possi, porém ela não pode participar.

Para quem não conhece bem o trabalho dele, segue um trecho da música Pra você dar o nome.

Do novo CD “8” estas são as faixas:

01- Miragem
02- Pra Cada Coisa
03- Sei de Mim
04- Simples
05- Sei Lá
06- Perdoa
07- Por Nada e Por Ninguém
08- Pra você Dar o Nome
09- Lado a Lado
10- Antes Não do Que Talvez
11- Fora de Perigo

Para ouvir, clique aqui.

Para ver fotos do show, clique aqui.

Por hoje é só pessoal! Até a próxima e ótima terça 😉

Por Antonio Saturnino

Você já se pegou alguma vez dizendo: “Nossa, este partiu cedo”? Pois é, com certeza Noel Rosa, ou o Poeta da Vila, é um dos que ainda tinha muito a contribuir com a música brasileira. Mas o fato é que, mesmo tendo falecido com apenas 26 anos, ele deixou um repertório rico de composições até hoje relembradas e regravadas.

Vamos direto ao assunto… Bom, quem quiser conhecer ou apreciar o trabalho do músico, nos dias 7, 14 e 21 de fevereiro a Galeria Olido recebe no projeto Terça do Samba uma homenagem ao sambista carioca.  O grupo Conversa de Botequim, formado por Gustavo Rodrigues (pandeiro e voz), Elói Brito (bandolim e cavaquinho), Cléber Rangel (violão, bandolim e cavaquinho) e Henrique (percussão), se apresenta com show inteiramente dedicado ao artista, com destaque para composições como Com Que Roupa, Três Apitos, entre outros.

Ah, nem precisa colocar a mão no bolso. As apresentações, que acontecerão sempre às 20h, serão gratuitas. Que eu irei é certo… Só falta saber com que roupa eu vou!!

Serviço:

Galeria Olido
Avenida São João, 473 – República
(11) 3331-8399
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/galeria_olido/.

Por Marco Barone

Foto: Ana Paula Morales

Um programa mais do que agradável. No último sábado (21) fui assistir ao show de Oswaldo Montenegro, promovido pela Rádio Nova Brasil, no Tom Jazz. Fui acompanhado da minha esposa, Ana Paula. Ela não é muito fã de shows de MPB. Sempre foi muito mais ligada às músicas e grupos americanos românticos. Mas como era uma ocasião diferente, ela foi. Ainda mais que teríamos uma noite de casal, com o filho dormindo na casa dos avós.

O que deu para notar é que a desconfiança foi sendo substituída pelo prazer de ver um poetaem ação. Aliás, a poesia de Oswaldo Montenegro foi o que mais emocionou. O formato do show deu espaço para que ele se soltasse mais. Ele, um violão, um piano e o público. O tipo de show que se adora. E feito para se curtir na boa. Oswaldo mesmo disse durante a apresentação que queria fazer um show assimem São Paulohá tempos.

O lugar, um bar, lembra muito os lugares que eu gostava de frequentar na minha solteirice. Nunca fui muito chegada a lugares cheios, abarrotados de pessoas. Sempre preferi os barzinhos de voz e violão. Sempre havia tempo para curtir o cantor, conversar, paquerar e namorar. E foi isso que revivi no show. E que a Ana Paula viveu.

O show, sem as pirotecnias que os grandes eventos pedem, é feito para fãs e não fãs. Quem conhecia o artista cantou junto (como eu) e quem não conhecia (como a Ana Paula) pode ouvir com prazer as letras e músicas que ele apresentou em pouco mais de uma hora de apresentação.

E o público foi parte do show. Oswaldo conversou conosco. Contou histórias, revelou segredos, confessou que havia esquecido a música de uma das canções que ele apresentou, mas que isso não seria problema, pois a letra valia a pena. E valeu.

Lembro que há muitos anos já havia assistido um show dele. Se não me engano, foi no Centro Cultural São Paulo, ou em um desses locais que estudantes de faculdade frequentavam no final da década de 80. As experiências foram diferentes. Naquele primeiro, fui com um grupo que conhecia e cantava as músicas junto com ele. Dessa vez, eu mesmo não conhecia boa parte das obras. Confesso que, com os anos, passei a não acompanhar sua carreira e me limitar ao que as emissoras de rádio tocam – e elas tocam muito pouco de Oswaldo Montenegro. A Nova é uma das poucas exceções. Além disso, minha companhia, a Ana Paula, conhecia, se muito, duas ou três músicas.

Ela se maravilhou quando entrou a instrumentista Madalena Ribeiro Salles, a Madá, ex-mulher de Oswaldo. Ela, na flauta, andando no meio do público acompanhando o cantor foi demais. Demais também foi quando ele declamou “Metade” (de onde tomei a liberdade para criar o título deste texto). Madá foi tocando em cima da poesia declamada pelo artista. Emocionante.

Enfim, o show que seria um pretexto para sair de casa sem o filho e curtir uma noite de casal, foi um excelente começo de sábado, que teve continuação, mas isso não cabe aqui…

O que posso dizer, usando a inspiração de Oswaldo Montenegro, é que a metade do casal gostou do show e a outra metade, também.

Metade – Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

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