Por Juliana Maffia

Uma história de espionagem completamente plausível. É assim que pode ser descrito o thriller O Espião que Sabia Demais, dirigido por Tomas Alfredson. O longa, que conta com uma lista de grandes nomes no elenco e três nomeações ao Oscar, tem pouco em comum com aquele filme do outro espião inglês.

George Smiley (Gary Oldman) é chamado de volta à ativa, após seu demitido da misteriosa agência inglesa MI6. O motivo de seu retorno é simples, seu antigo chefe, Control (John Hurt), acreditava que um de seus principais agentes estaria entregando informação à União Soviética. Mas Control foi demitido e morto antes de descobrir o real culpado. Agora, era tarefa de Smiley descobrir o verdadeiro agente-duplo.

O que há por trás do mundo da espionagem? Como funciona uma agência realmente? Como os agentes agem em missões? O Espião que Sabia Demais tenta mostrar um pouco desta realidade, completamente diferente do que estamos acostumados após os filmes como 007 e Missão Impossível. Agentes que estão lutando uma guerra, frios e calculistas, verdadeiramente ingleses.

O longa foi baseado no livro de mesmo nome escrito por John le Carré. Este, foi um antigo agente da MI6 que teve sua identidade revelada pela KGB, terminando com suas chances de permanecer espião. Sabendo disso podemos supor de que os espiões de le Carré têm uma profundidade diretamente ligada ao conhecimento do autor sobre o assunto.

É esta profundidade, ligada a grandes atuações de Gary Oldman, Colin Firth, Mark Strong e Benedict Cumberbatch que fazem de O Espião que Sabia Demais um filme merecedor de indicações ao Oscar de Trilha Sonora Original, Roteiro Adaptado e Melhor Ator (para Gary Oldman). Não posso dizer que ele irá ganhar, pois ainda não pude assistir os outros filmes indicados, mas ele certamente é um forte candidato.

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por Juliana Maffia

O filme desta semana, O Discurso do Rei, ganhou quatro estatuetas no Oscar deste ano, entre elas a de melhor filme. O longa foi dirigido pelo desconhecido Tom Hooper e estrelado por Colin Firth e Geoffrey Rush. Além de ter o elenco de apoio repleto de “personagens” do Harry Potter, entre eles, Helena Bonham Carter, Michael Gambon e Timothy Spall.

O filme conta a história do príncipe da Grã Bretanha, segundo na linha do trono. Um gago que já tentou de tudo para curar-se e sempre teve dificuldades em falar para o público. Gaguejava até na hora de contar histórias para suas duas filha. Até então o problema não era tão sério, afinal não seria rei e seus discursos em público eram mínimos. Mas, infelizmente, seu irmão abdica do trono para casar-se com uma americana divorciada.

Henry IV decide, a mando de sua mulher (Bonham Carter), ver um médico diferente de todos os anteriores. Lionel Logue (Geoffrey Rush) usa no futuro rei suas técnicas estranhas e o príncipe, aos poucos, apresenta uma melhora. O filme culmina em um famoso discurso realizado pelo, já rei, Henry IV, dando o apoio que seu povo precisava durante a Segunda Guerra Mundial.

A direção do filme é impecável. Inclusive percebe-se algumas tomadas de cena que fogem, um pouco, do comum. A única coisa que carrega O Discurso do Rei é a história. Se ela não fosse tão comovente, o filme jamais teria, sequer, concorrido ao Oscar. Não há nada mais interessante do que descobrir que seus heróis são pessoas normais que sofrem tanto quanto você. E o público adora. Vide o sucesso de A Rainha (de Stephen Frears), há alguns anos. Um filme bem realizado e a humanização da monarquia, deram ao Discurso do Rei o Oscar de Melhor Filme em 2011.