Por Juliana Maffia

A premiação mais importante do cinema aconteceu no último domingo, 26 de fevereiro. Famosa por suas estatuetas, seu tapete vermelho e por ser sediada no lindo teatro Kodak, este ano a festa teve como apresentador o comediante Billy Crystal. Claro que estou falando da 84ª edição do Oscar, evento que premiou os filmes que mais se destacaram no ano 2011.

Este ano o Oscar parecia ter poucos filmes concorrentes. Muitos deles estavam indicados em diversas categorias. Como A Invenção de Hugo Cabret, indicado à 11 estatuetas e ganhador de cinco prêmios técnicos. Concorria também O Artista, filme favorito para levar a estatueta de melhor filme. Ele não só levou o prêmio mais importante como ganhou as estatuetas de melhor diretor, ator, trilha sonora e figurino. Eu, particularmente, não achava que O Artista merecia um Oscar por melhor filme, mas a vitória de Jean Dujardin como melhor ator foi muito merecida. Se tem algo que se destaca em O Artista é Dujardin.

Para mim, o Oscar mais merecido deste ano foi o de roteiro original, entregue à Meia Noite em Paris. Woody Allen não compareceu, como sempre, mas o roteiro de nenhum outro filme se destacava tanto como o do diretor nova iorquino. A história de Meia Noite em Paris é realmente uma obra prima.

Este ano, o espetáculo foi bastante sem graça, sem suas apresentações musicais e com um Billy Crystal bastante desanimado. Ainda assim, muito melhor do que o apático James Franco, no ano anterior. Ficou faltando a presença dos Muppets no palco, algo que havia sido prometido. Mas em compensação, tivemos Uggie, o cachorro de O Artista.

Lista dos ganhadores:

FOTOGRAFIA
“A Invenção de Hugo Cabret”
“A Árvore da Vida” – “Cavalo de Guerra” – “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” – “O Artista”


DIREÇÃO DE ARTE
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Meia-Noite em Paris” – “Cavalo de Guerra” – “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” – “O Artista”


FIGURINO
“O Artista”, de Mark Bridges
“A Invenção de Hugo Cabret”, de Sandy Powell – “Anônimo”, de Lisy Christl – “Jane Eyre”, de Michael O’Connor – “W.E.”, de Arianne Phillips


MAQUIAGEM
“Dama de Ferro”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” – “Albert Nobbs”

FILME ESTRANGEIRO

“A Separação” (Irã)
“Footnote” (Israel) – “Bullhead” (Bélgica) – “In Darkness” (Polônia) – “Monsieur Lazhar” (Canadá)

ATRIZ COADJUVANTE

Octavia Spencer em “Histórias Cruzadas”
Jessica Chastain em “Histórias Cruzadas” – Bérénice Bejo em “O Artista” – Melissa McCarthy em “Missão Madrinha de Casamento” – Janet McTeer em “Albert Nobbs”

MONTAGEM

“Os Homens que Não Amavam as Mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret” – “Os Descendentes” – “O Artista” – “O Homem que Mudou o Jogo”


EDIÇÃO DE SOM
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Transformers: O Lado Oculto da Lua” – “Drive” – “Cavalo de Guerra” – “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”


MIXAGEM DE SOM
“A Invenção de Hugo Cabret”
“O Homem que Mudou o Jogo” – “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” – “Transformers: O Lado Oculto da Lua” – “Cavalo de Guerra”


DOCUMENTÁRIO
“Undefeated”
“If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front” – “Hell and Back Again” – “Paradise Lost 3: Purgatory” – “Pina”

ANIMAÇÃO

“Rango”, de Gore Verbinski
“Chico & Rita”, de Fernando Trueba e Javier Mariscal – “Um Gato em Paris”, de Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli – “Kung Fu Panda 2”, de Jennifer Yuh Nelson – “Gato de Botas”, de Chris Miller

EFEITOS VISUAIS

“A Invenção de Hugo Cabret”
“Gigantes de Aço” – “Planeta dos Macacos: a Origem – “Transformers: O Lado Oculto da Lua” – “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”


ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer, de “Toda Forma de Amor”
Max von Sydow, de “Tão Forte e Tão Perto” – Nick Nolte, de “Guerreiro” – Jonah Hill, de “O Homem que Mudou o Jogo” – Kenneth Branagh, de “Sete Dias com Marilyn”


TRILHA SONORA
“O Artista”, de Ludovic Bource
“A Invenção de Hugo Cabret”, de Howard Shore – “O Espião que Sabia Demais”, de Alberto Iglesias – “Cavalo de Guerra”, de John Williams – “As Aventuras de Tintim”, de John Williams

CANÇÃO ORIGINAL
“Man or Muppet”, do “Os Muppets”, música e letra de Bret McKenzie
“Real in Rio”, do filme “Rio”, música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett


ROTEIRO ADAPTADO
“Os Descendentes”, de Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash
“A Invenção de Hugo Cabret”, de John Logan – “Tudo Pelo Poder”, de George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon – “O Homem que Mudou o Jogo”, de Steven Zaillian, Aaron Sorkin e Stan Chervin – “O Espião que Sabia Demais”, de Bridget O’Connor e Peter Straughan


ROTEIRO ORIGINAL
“Meia-Noite em Paris”, de Woody Allen
“A Separação”, de Asghar Farhadi – “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, de Written by J.C. Chandor – “Missão Madrinha de Casamento”, de Annie Mumolo e Kristen Wiig – “O Artista”, de Michel Hazanavicius


MELHOR CURTA
“The Shore”
“Time Freak” – “Pentecost” – “Tuba Atlantic” – “Raju”


DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
“Saving Face”
“The Tsunami and the Cherry Blossom” – “The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement” – “God Is the Bigger Elvis” – “Incident in New Baghdad”


ANIMAÇÃO EM CURTA-METRAGEM
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”
“La Luna” (da Disney) – “Dimanche/Sunday” – “A Morning Stroll” – “Wild Life”


DIRETOR
“O Artista”, de Michel Hazanavicius
“Os Descendentes”, de Alexander Payne – “A Invenção de Hugo Cabret”, de Martin Scorsese – “Meia-Noite em Paris”, de Woody Allen – “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick


ATOR
Jean Dujardin, de “O Artista”
Gary Oldman, de “O Espião que Sabia de Mais” – Brad Pitt, de “O Homem que Mudou o Jogo” – Demián Bichir, de “A Better Life” – George Clooney, de “Os Descendentes”


ATRIZ
Meryl Streep, de “A Dama de Ferro”
Michelle William, de “Sete Dias com Marilyn” – Rooney Mara, de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” – Viola Davis, de “Histórias Cruzadas” – Glenn Close, de “Albert Nobbs”


FILME
“O Artista”
“Os Descendentes” – “Tão Forte e Tão Perto” – “Histórias Cruzadas” – “A Invenção de Hugo Cabret” – “Meia-Noite em Paris” – “O Homem que Mudou o Jogo” – “A Árvore da Vida” – “Cavalo de Guerra”

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por Juliana Maffia

Essa sábado irei agraciá-los com a minha presença, mas melhor do que isso vou dar um dica de cinema 😉

Vamos falar sobre o Oscar, mais especificamente um de seus nominados, o filme O Artista, do diretor belga Michael Hazanavicius. Indicado em 10 categorias da premiação, incluindo Melhor FilmeMelhor Ator e Melhor Roteiro Original, o filme chama atenção por uma série de coisas incomuns. Em primeiro lugar ele é mudo, em segundo ele é em preto e branco. Mas se você achou que isso faz dele um filme sério, está errado, pois o enredo traz uma comédia romântica nem um pouco complexa.

O ano: 1927. A cidade: Hollywood. Os eventos que vemos transparecer são fáceis de compreender. Os filmes começaram a ter voz mas George Valentin (Jean Dujardin), grande ator do cinema mudo, não consegue se adaptar a mudança. George tem a seu lado seu fiel mordomo e cachorro (por sinal, a maior estrela do filme). Enquanto isso, Peppy Miller (Bérénice Bejo), uma jovem estrela com quem George já havia contracenado faz um sucesso tremendo nos filmes falados. Será que Peppy é a única que poderá ajudar Valetin?

Hazanavicius chacoalha a indústria pois ousa fazer um filme pouco comercial, mudo, enquanto o resto do mundo se preocupa com efeitos especiais. Este aspecto faz com que o longa atinja um público bastante seleto. Mas enquanto isso, o enredo é um que pode ser encontrado em qualquer filme de hollywood. Redondo, sim, mas muito simples.

Em O Artista, Jean Dujardin agrada com sua atuação levemente caricata. Definitivamente é um ator para se começar a prestar atenção. Mas quem rouba a cena, obviamente, é o cachorro Uggie, com seus truques e carisma. Espere participações especiais de John Goodman, como o dono do estúdio Al Zimmer, e Malcolm McDowell, como um extra em busca de emprego.

Os interessados por cinema irão gostar do filme, pois ele traz algo de diferente ao meio. Mas se você não está acostumado à assistir filmes mudos se prepare pois ele pode ser cansativo. Falo isso por mim, que já na metade do longa sentia falta dos diálogos de sempre. Isso, é claro, não é culpa do longa e sim nossa. Talvez se a trilha fosse mais envolvente, Hazanavicius teria conseguido manter nossa atenção por mais tempo.